Rabo comprido, para quê?

A cauda de uma serpente tem início após a cloaca. Em algumas espécies, a cauda é bastante curta. Já em outras, a cauda é tão ou mais comprida que o restante do corpo. Observando isso, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos se perguntou: as serpentes arborícolas – aquelas que passam a maior parte do tempo sobre as árvores – possuem caudas mais longas que as serpentes não arborícolas?

A suaçuboia (<i>Corallus hortulanus</i>) é uma espécie de serpente arborícola, ou seja, que está quase sempre enroscada nos galhos de alguma árvore. (foto: Henrique Caldeira Costa)

A suaçuboia (Corallus hortulanus) é uma espécie de serpente arborícola, ou seja, que está quase sempre enroscada nos galhos de alguma árvore. (foto: Henrique Caldeira Costa)

Para tirar essa dúvida, os cientistas examinaram muitas cobras, algumas vivas, mas a maioria preservada morta em museus para pesquisas. No total, foram mais de 200 espécies diferentes que ocorrem ao redor do mundo. Com isso, os pesquisadores descobriram que as serpentes que costumam subir em árvores ou que passam a maior parte do tempo lá em cima possuem uma cauda em média três a quatro vezes maior que as serpentes que ficam mais no chão ou na água.

Como, na ciência, uma resposta sempre leva a novas perguntas, veio a questão: que vantagem uma cauda longa traz a uma serpente arborícola?

A boipeva (<i>Xenodon merremii</i>) vive a maior parte do seu tempo no chão. Como outras serpentes não arborícolas, esta espécie tem a cauda mais curta. (foto: Henrique Caldeira Costa)

A boipeva (Xenodon merremii) vive a maior parte do seu tempo no chão. Como outras serpentes não arborícolas, esta espécie tem a cauda mais curta. (foto: Henrique Caldeira Costa)

A resposta está na circulação sanguínea. Quando as serpentes estão na posição vertical escalando algum galho, a força da gravidade torna mais difícil o sangue chegar até o cérebro e o coração. A cauda mais longa das serpentes arborícolas possui mais vasos sanguíneos, que ajudam o sangue a circular melhor pelo corpo enquanto o animal está pendurado em galhos e troncos. Assim, a vida nas alturas fica bem mais confortável!

Matéria publicada em 17.08.2015

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Adorei a explicação!

    Publicado em 26 de dezembro de 2018 Responder

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Henrique Caldeira Costa

Curioso desde criança, Henrique tem um interesse especial em pesquisar a história por trás dos nomes científicos dos animais, que partilha com a gente na coluna O nome dos bichos

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