Pesquisa malcheirosa

Carolina acorda para mais um dia de trabalho. Toma café, veste uma roupa confortável e sai para mais um passeio de canoa pelos rios da Amazônia. E aí, você consegue adivinhar o que ela faz? Quem disse que ela pesquisa animais acertou! Mas não de um jeito tradicional: ela busca amostras de fezes do peixe-boi para investigar sua reprodução.

Peixe-boi

Pouco se sabe sobre a reprodução dos peixes-boi até agora. Porém, estudos feitos em cativeiro indicam que cada fêmea tem um filhote a cada três anos, o que é pouco em comparação a outras espécies de animais (Foto: Augusto Rodrigues)

Parece maluquice estudar um bicho por meio do seu cocô, mas a veterinária Carolina Oliveira, do Instituto Mamirauá, explica que o trabalho é muito importante. “Não sabemos muito sobre como é a reprodução do peixe-boi amazônico na natureza, e esta é uma informação importante para nos ajudar na conservação da espécie”, explica. Para isso, um passo fundamental é medir a quantidade de hormônios produzidos pelos animais.

“A forma mais comum de medir isso é usar amostras de sangue de vários animais e comparar os resultados de cada uma”, conta Carolina. “O problema é que, para conseguirmos um pouquinho de sangue de peixes-boi que vivem soltos nas águas da Amazônia, teríamos que capturá-los, o que, além ser muito trabalhoso, deixa os animais muito assustados”.

Para evitar isso, surgiu a ideia de estudar o cocô do peixe-boi, que também contém uma quantidade razoável de hormônios. Os pesquisadores, então, tomam a canoa e vão procurar as amostras nos locais frequentados pelos bichos. ”É fácil saber por onde eles passam porque costuma ter um bocado de restinhos de plantas onde eles comeram”, diz a veterinária.

Cocô de peixe-boi

O cocô do peixe-boi pode ser bem grande, mais ou menos do tamanho do cocô de um cavalo. Como ele só come plantas, as fezes são verdes e cheias de fibras (Foto: Carolina Oliveira)

As amostras coletadas são colocadas em sacos plásticos e os pesquisadores anotam data e local onde foram encontradas. Depois, o material é congelado. A equipe já conseguiu mais de 300 amostras! Já no laboratório, o cocô é analisado e o estudo das variações na concentração de hormônios reprodutivos ajuda a estimar as épocas do ano em que os peixes-boi acasalam e têm filhotes.

Segundo Carolina, o estudo das fezes do peixe-boi pode dar pistas não só sobre a reprodução do animal, mas também sobre sua alimentação e a presença de parasitas intestinais.

Matéria publicada em 02.05.2012

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Que nojento e……importante para a ciência!

    Publicado em 5 de maio de 2019 Responder

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Catarina Chagas

Desde criança gosto de ler, inventar histórias e descobrir novidades. Cresci e encontrei um trabalho em que posso fazer tudo isso.

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