Pés na estrada


Na CHC 227, você leu o relato da aventura de três brasileiros que, em 1928, embarcaram em uma missão praticamente impossível: mapear e abrir o caminho de uma grande estrada que começaria na América do Sul, atravessaria a América Central e terminaria na América do Norte. Foram necessários dez anos para concluir a chamada Estrada Pan-Americana. Agora, mais de 80 anos depois, uma nova expedição revive as façanhas da original. É hora de embarcar em outra aventura!

Ela começa em 1998, quando o engenheiro e historiador Beto Braga tomou conhecimento da expedição da Estrada Pan-Americana. Braga morava na Bolívia, e ali conheceu o filho do tenente Leônidas de Oliveira, líder da missão. Ele ainda preservava o diário do pai, com todos os detalhes daquela aventura vivida a bordo de dois carros Ford Modelo T.

Ela começa em 1998, quando o engenheiro e historiador Beto Braga tomou conhecimento da expedição da Estrada Pan-Americana. Braga morava na Bolívia, e ali conheceu o filho do tenente Leônidas de Oliveira, líder da missão. Ele ainda preservava o diário do pai, com todos os detalhes daquela aventura vivida a bordo de dois carros Ford Modelo T.

Apaixonado por automóveis e uma boa história, Braga começou a investigar o que acontecera entre 1928 e 1938, período em que Leônidas de Oliveira, junto com o oficial da Aeronáutica e especialista em engenharia Francisco Lopes da Cruz e o experiente mecânico Mário Fava, cruzaram 15 países e 28 mil quilômetros com nada de tecnologia e muita coragem.

Além do diário de Leônidas de Oliveira, Braga teve a sorte de conhecer Fava, último dos expedicionários ainda vivo na época. Fava trazia na memória muitos relatos da façanha concluída no século passado. O historiador também mergulhou em pesquisas e juntou um grande acervo de fotos e documentos que deram origem ao livro “O Brasil através das três Américas” (Canal 6 Editora).

Braga decidiu refazer o trajeto percorrido pelos expedicionários. Além do gosto pela estrada, ele queria divulgar o feito do trio aventureiro, que, segundo ele, curiosamente não ganhou o destaque merecido ao voltar para o Brasil, nem um registro à altura na História. Então, com esposa e filhos, Braga colocou mãos, e rodas, à obra!

A bordo de um carro Ford Excursion, e com muito mais conforto e tecnologia que os expedicionários originais, a família Braga está na estrada há uns seis meses. A viagem deve durar um ano, em um percurso ainda maior do que o primeiro – 62 mil quilômetros, o que inclui, além dos países visitados em 1928, a Rota 66, nos Estados Unidos, e paradas no Canadá e no Alasca.

Em cada parada, Braga e sua família divulgam o feito de Oliveira e companhia, além de pesquisar documentos históricos sobre a passagem do trio brasileiro em cada país. Além disso, estão filmando a viagem para mostrar o impacto social, cultural e econômico que a estrada teve em cada comunidade que atravessa. A ideia é fazer um documentário sobre toda essa aventura.

Novos desafios
Na expedição original, Oliveira, Lopes da Cruz e Fava acampavam pelo caminho, sempre contando com a ajuda da população local, que lhes dava comida e ajudava a abrir a estrada. Apesar de desfrutar de mais segurança e comodidade, hospedando-se em hotéis e com um carro que é quase um caminhão, cheio de mantimentos, a família Braga passou por alguns sustos durante a viagem.

Ficaram apreensivos, por exemplo, ao passar por áreas de risco na Colômbia, em Honduras e na Guatemala, além da fronteira do México com os Estados Unidos. A comida também exige atenção: na Bolívia, eles estranharam a gastronomia local – na expedição original, Oliveira passou por maus bocados com uma infecção alimentar no México… O clima seco e a altitude de algumas regiões também incomodaram, mas não impediram a expedição original, nem a atual, de seguir caminho.

O trajeto, aliás, registra feitos heróicos que quase viraram lendas! Fava, por exemplo, chegou a despencar de carro de uma ladeira no Equador e depois de um abismo no Peru, e saiu ileso nas duas ocasiões… O Intrépido Mecânico morreu em 2000, aos 93 anos. Ele foi o último dos expedicionários em contar sua história que, ainda bem, resistiu ao tempo!

Matéria publicada em 22.09.2011

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Elisa Martins

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