Ida Pfeiffer

No século 19, viveu uma mulher que deixaria muitos aventureiros do cinema, como Indiana Jones, morrendo de inveja. De dona de casa em Viena, na Áustria, Ida Laura Pfeiffer entrou para a história da ciência por ter se tornado uma exploradora de lugares selvagens e desconhecidos.

Aos 45 anos, Ida Pfeiffer deixou a Europa para desbravar o mundo. Viajou de barco, de trem e até no lombo de mulas, camelos e elefantes. Colecionou insetos, explorou florestas e fez observações sobre os costumes dos habitantes dos lugares que visitou (Ilustração: Cruz)

Aos 45 anos, Ida Pfeiffer deixou a Europa para desbravar o mundo. Viajou de barco, de trem e até no lombo de mulas, camelos e elefantes. Colecionou insetos, explorou florestas e fez observações sobre os costumes dos habitantes dos lugares que visitou (Ilustração: Cruz)

Aos 35 anos, ela dividia seu tempo entre cuidar da casa, dos filhos e estudar nomes de rios, montanhas, meridianos e paralelos. Aos 45, decidiu deixar para trás os afazeres domésticos e realizar o sonho antigo de sair pelo mundo. Para financiar suas viagens, Ida vendeu o que tinha – sua casa e seu piano.

Passou 15 anos viajando, deu duas voltas ao mundo e conheceu os mais diferentes lugares, incluindo China, Índia, Oriente Médio, Indonésia, Madagascar… e o Brasil também! Em 1846, ela esteve por dois meses no Rio de Janeiro, fazendo anotações sobre as diferenças de tratamento que a sociedade da época dava aos negros e aos brancos.

Sua primeira viagem foi ao Oriente Médio, à região que corresponde hoje ao estado de Israel. Aconteceu de tudo: foi roubada por capitães de navio, enganada por condutores de camelo e esgotada por guias. Mesmo assim, voltou entusiasmada com a experiência e, nove meses depois, estava pronta para novos desafios. Suas viagens seguintes foram cada vez mais arriscadas, à medida que se deslocava para longe dos roteiros turísticos, adentrando selvas ou subindo montanhas pouco exploradas pelos europeus.

Entre uma viagem e outra, Ida publicava suas observações de viagem em forma de livro, mesmo considerando-as simples narrativas de uma mulher comum (Foto: Wikimedia Commons)

Entre uma viagem e outra, Ida publicava suas observações de viagem em forma de livro, mesmo considerando-as simples narrativas de uma mulher comum (Foto: Wikimedia Commons)

Ida viajava com pouquíssimo dinheiro. Para comer, dividia pratos com os habitantes locais ou fazia refeições quando lhe ofereciam. Para dormir, alojava-se onde conseguia e várias vezes passou a noite ao relento. Conforme seus livros eram lidos e ela ia ficando conhecida, as companhias de navegação e estradas de ferro passaram a deixá-la viajar de graça.

As anotações de Ida chamaram a atenção de um importante pesquisador alemão, Alexandre von Humboltd. Graças ao valor dado pelo cientista aos seus escritos, nossa aventureira se tornou membro honorário de sociedades científicas como as Sociedades de Geografia de Paris e de Berlim, e das Sociedades de Zoologia de Berlim e de Amsterdã.

Suas narrativas revelaram à Europa uma visão feminina de vários lugares desconhecidos. Ida persistiu nas viagens, mas, com o passar do tempo e a idade, foi tendo cada vez mais dificuldades. Passou uma situação difícil em Madagascar, na África, quando se envolveu com um grupo que queria tirar a rainha de determinada tribo do poder.

(Mapa: Nato Gomes)

(Mapa: Nato Gomes)

A revolução não deu certo e todos os participantes – incluindo nossa viajante – foram punidos. Para Ida, a pena foi a expulsão do reino. Ela foi escoltada por soldados numa caminhada que durou 53 dias! Tudo isso debaixo de chuva, com febre e dores no corpo.

Apesar de ter resistido à caminhada, Ida logo depois faleceu, vítima de um câncer no fígado, no dia 28 de outubro de 1858, com 61 anos. Até hoje, muitas mulheres se inspiram no mito de força que foi essa senhora de Viena.

(Esta é uma reedição do texto publicado na CHC 113.)

Matéria publicada em 11.12.2013

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Miriam Lifchitz Moreira Leite

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