Gols pela caatinga

Você já conhece Fuleco, o tatu-bola? Em pouco tempo, com certeza vai ouvir falar dele. Fuleco é o mascote da Copa do Mundo de 2014, que, como todo mundo já sabe, vai ser realizada aqui no Brasil. Seu nome vem da mistura entre as palavras ‘futebol’ e ‘ecologia’. Com sua carapaça azul, ele vive acompanhado de sua inseparável bola de futebol.

Durante a Copa do Mundo de 2014, Fuleco ficará internacionalmente conhecido. Será que esse sucesso vai ajudar na preservação da caatinga? (foto: Wikimedia Commons)

Durante a Copa do Mundo de 2014, Fuleco ficará internacionalmente conhecido. Será que esse sucesso vai ajudar na preservação da caatinga? (foto: Tânia Rego / Agência Brasil / CC-BY-SA-3.0)

Mas, para além do personagem, existe um Fuleco na vida real. É o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus), que não têm carapaça azul nem joga futebol. A espécie, genuinamente brasileira, está ameaçada de extinção, assim como seu ambiente natural, a caatinga. Esse bioma, infelizmente, está em péssimo estado de conservação.

Isso levou o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco, a pensar: “por que não usar essa divulgação da Copa para promover ações de conservação dessa espécie?”

Em parceria com alguns colegas, o cientista publicou um artigo criticando a falta de ações concretas de conservação. “Fizemos uma provocação à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e ao governo brasileiro”, explica Enrico. A equipe sugere que a Fifa e o Ministério do Meio Ambiente aproveitem melhor a alta exposição do bicho de forma a ajudar na conservação dele.

O tatu-bola-da-caatinga da vida real, infelizmente, ainda não tem o mesmo prestígio que o Fuleco. As propostas de ações de conservação já foram enviadas ao Ministério do Meio-Ambiente e à Fifa, mas os cientistas ainda não receberam respostas. (foto: Wikimedia Commons)

O tatu-bola-da-caatinga da vida real, infelizmente, ainda não tem o mesmo prestígio que o Fuleco. As propostas de ações de conservação já foram enviadas ao Ministério do Meio-Ambiente e à Fifa, mas os cientistas ainda não receberam respostas. (foto: ChrisStubbs / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)

Para isso, os autores fizeram sugestões concretas. A primeira delas é expandir o sistema de parques e reservas na caatinga. Eles também esperam que o governo acelere a publicação de um plano de conservação para o tatu-bola.

Outra recomendação é que fossem honrados os investimentos prometidos para os chamados Parques da Copa. Eram projetos que pretendiam investir em unidades de conservação voltadas a atividades turísticas – mas que, pelo visto, não estão sendo colocados em prática.

Agora, a ideia mais audaciosa deixei para o final: os pesquisadores propuseram que, para cada gol marcado nos jogos da copa, poderíamos proteger mil hectares de áreas naturais na caatinga. Não seria legal? Muitos gols resultariam em muitas novas reservas!

Será que vão aceitar o desafio? Tomara que sim. Vai ser bem mais emocionante comemorar cada gol sabendo que aquela bola na rede está ajudando a conservar a natureza!

Matéria publicada em 26.05.2014

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Tomara que eles tenham aceitado a idéia!

    Publicado em 21 de julho de 2018 Responder

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Gabriel Toscano

Gosto de ouvir música, ver filmes, ler livros, viajar e conhecer pessoas diferentes. Estou sempre procurando aprender coisas novas!

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