Crocodilo guerreiro

Há 55 milhões de anos, quando os dinossauros já tinham sido extintos por um grande cometa que atingiu a Terra, o predador que dominava no Rio de Janeiro era um crocodilo de três metros de comprimento e dentes afiados. Podemos dizer que ele era o rei do pedaço – mas dividia espaço com outros animais parecidos com jacarés.

O crocodilo guerreiro era um carnívoro terrestre que viveu há cerca de 55 milhões de anos (Foto: Sofia Moutinho)

O crocodilo guerreiro era um carnívoro terrestre que viveu há cerca de 55 milhões de anos (Foto: Sofia Moutinho)

Quem conta a história são os paleontólogos que descobriram esse temível animal. Ele recebeu o nome de Sahitisuchus fluminensis – Sahitisuchus tem inspiração no idioma indígena xavante e quer dizer ‘crocodilo guerreiro’; enquanto fluminensis quer dizer ‘do Rio de Janeiro’.

Os fósseis do bicho, já extinto, foram descobertos há mais de 70 anos, quando uma empresa estava coletando pedras para fabricar cimento na região de São José de Itaboraí, no interior do Rio de Janeiro. Em meio à pedreira, estavam um crânio e algumas vértebras que foram guardados no Museu de Ciências da Terra.

Só agora os cientistas estudaram esse material e viram que se tratava de uma espécie até então desconhecida. Pelas características das formas do esqueleto do animal, os paleontólogos acreditam que ele era um carnívoro e que só vivia na terra, diferentemente dos crocodilos e jacarés de hoje, que passam a maior parte do tempo dentro d’água.

Os paleontólogos recuperaram o fóssil completo do crânio do <i>Sahitisuchus fluminensis</i>, com as mandíbulas e os dentes serrilhados típicos de carnívoros (Foto: CPRM)

Os paleontólogos recuperaram o fóssil completo do crânio do Sahitisuchus fluminensis, com as mandíbulas e os dentes serrilhados típicos de carnívoros (Foto: CPRM)

“O fóssil apresenta o focinho de um animal predador de terra firme”, diz o paleontólogo André Pinheiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Os dentes são serrilhados, típicos de carnívoros e, como os dentes de trás não são muito afiados, acreditamos que ele não só caçava, como também comia animais mortos que encontrava pelo seu caminho”.

André conta que, na época em que o Sahitisuchus fluminensis viveu, já não existiam animais tão grandes como os dinossauros onde hoje fica o Rio de Janeiro. O próprio crocodilo guerreiro não era tão grande assim…

Mas o reinado do animal chegou ao fim por volta de 23 milhões de anos atrás, no período chamado Mioceno, quando a América do Sul se juntou à América do Norte por causa da diminuição do nível do mar, que movimentou as placas que formam a crosta da Terra. Essa junção fez com que os animais do norte viessem para o sul e isso não foi nada bom para o Sahitisuchus fluminensis.

O <i>Sahitisuchus fluminensi</i> se alimentava de pequenos répteis e marsupiais e não resistiu à competição com as onças vindas da América do Norte durante o período Mioceno (Imagem: Maurilio Oliveira)

O Sahitisuchus fluminensis se alimentava de pequenos répteis e marsupiais e não resistiu à competição com as onças vindas da América do Norte durante o período Mioceno (Imagem: Maurilio Oliveira)

“Onças e guepardos que existiam no norte desceram para cá e começaram a competir por espaço e alimento com esses crocodilos”, explica André. “Eles não aguentaram a competição e desapareceram, enquanto outros crocodilos da época, que viviam dentro da água (onde as onças não entravam), conseguiram escapar e deram origem aos atuais jacarés”.

Agora, toda vez que você olhar para um jacaré já sabe: ele teve um parente distante que não sobreviveu porque não era chegado a banho nem natação!

Matéria publicada em 22.01.2014

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Sofia Moutinho

Curiosidade é meu lema! Desde pequena busco respostas para as perguntas mais intrigantes. Melhor que estar por dentro da ciência, só compartilhar com vocês esse conhecimento!

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