Crocodilo com cara de tatu

O Armadillosuchus arrudai tinha quase dois metros de comprimento e uma carapaça bem parecida com a de um tatu (imagens: Divulgação).

Imagine um crocodilo que tem uma carapaça parecida com a dos tatus, além de garras apropriadas para escavar o solo. Parece personagem de filme de ficção científica? Pois saiba que um animal assim viveu bem aqui, no nosso país, há cerca de 90 milhões de anos. Com aproximadamente dois metros de comprimento e 120 quilos de peso, a espécie, que acaba de ser apresentada ao público pelos cientistas, foi batizada de Armadillosuschus arrudai e ganhou o apelido de crocodilo-tatu.

Esse animal pré-histórico, que tinha um escudo feito por pequenas placas de osso, similar à carapaça dos tatus, assim como garras que podiam ajudá-lo a escavar buracos no chão, vivia em terra firme e tinha dentes especiais para mastigar raízes, vegetais e carne. O geólogo Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos pesquisadores que descreveu a espécie, conta que ela chama bastante atenção: “Um crocodilo que vive na terra, gosta de alface e tem carapaça de tatu realmente merece o título de mais exótico fóssil já encontrado no Brasil”, diz.

Com dentes reforçados, o crocodilo-tatu conseguia comer vegetais e raízes, além de carne.

Porém, com características tão diferentes das que vemos atualmente nos crocodilos, como será que os pesquisadores descobriram que o animal é uma espécie de crocodiliano? Para eles, a resposta é simples: pelos ossos da cabeça. O crânio do bicho é típico da espécie, com apenas uma diferença: “Enquanto as narinas dos crocodilos atuais se encontram no alto da cabeça, as do crocodilo-tatu ficavam localizadas na parte anterior e frontal de seu focinho, o que indica que ele passava mais tempo na terra”, conta Ismar.

Estratégias para sobreviver

Segundo o geólogo, as características que o crocodilo-tatu apresenta indicam o quanto a espécie evoluiu para se adaptar às condições do ambiente. Com a possibilidade de escavar o solo, o animal podia se esconder em locais com temperaturas mais amenas, já que o clima na região onde vivia era árido e seco.

O crocodilo-tatu usava garras para escavar buracos no solo, onde ficava protegido do clima quente e dos predadores.

“No entanto, devido a modificações sofridas pelo ambiente, o Armadillosuschus arrudai acabou por ser extinto”, explica o geólogo. O fóssil do animal foi encontrado em 2005, na cidade paulista de General Salgado, em um trabalho que contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Descobertas de um professor

Foi um professor do município de General Salgado quem descobriu os fósseis do crocodilo-tatu que permitiram identificar esse animal como uma nova espécie pré-histórica e fazer uma reconstituição do seu esqueleto (ao lado). Tadeu Arruda achou partes da cabeça, da costela e da pata do animal e é em homenagem a ele que o nome científico do bicho é formado pelo termo arrudai.

Matéria publicada em 14.07.2009

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Julia Faria

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