Cocô, pra que te quero!

Você gosta de sentir o cheiro de um livro novo? E como seria esse perfume se as páginas fossem feitas de cocô de elefante? Se você ficou com nojo, pode não gostar de descobrir que as luzes do parque onde passeia só estão acesas graças ao cocô de cães. Pior ainda se souber que está nadando em um mar cheio de fezes de baleia!

Calma, ninguém quer assustar você com esse papo esquisito. Acontece que, diferentemente do que pensamos, as fezes dos animais podem ser bem úteis. Um exemplo é o cocô do elefante, animal que, por comer apenas plantas, produz fezes cheias de fibra vegetal. E adivinha só: essa fibra é a matéria-prima do papel!

Os livros da foto foram feitos com papel fabricado a partir do cocô de elefantes. O uso desse tipo de papel pode evitar que muitas árvores sejam derrubadas (Foto: Flickr, por Roberta Cortese)

Diariamente, cada elefante produz 100 quilos de cocô que podem gerar até 115 folhas de papel. Mas, se algum dia você receber uma carta escrita em uma folha feita de caca de elefante, não precisa tampar o nariz: antes de virar papel, as fezes são fervidas para matar as bactérias que causam o típico cheirinho de cocô.

Além do elefante, o cachorro é outro bicho que produz fezes pra lá de proveitosas. Na cidade de Gilbert, nos Estados Unidos, existe um parque que recebe 200 cães todos os dias e arrumou um bom destino para a caca que eles fazem: transformar em energia elétrica.

Segundo o engenheiro ambiental Kiril Hristovski, da Universidade do Estado do Arizona, isso só é possível graças a microrganismos presentes nas próprias fezes. “As bactérias se alimentam do cocô e produzem metano, que serve de combustível para acender as luzes do parque”, conta. Além de evitar que algum desavisado pise no cocô, a técnica impede que o metano, um gás muito poluente, vá para a atmosfera.

Ninguém sabe ao certo a quantidade de cocô a baleia azul faz, mas, se você der uma olhada na foto, vai ver que não é pouca! (Foto: Eddie Kisfaludy)

Outro cocô útil é o da baleia azul. Segundo o biólogo Steve Nicol, da Universidade da Tasmânia, na Austrália, esse animal se alimenta de grandes quantidades de krill, um invertebrado que tem muito ferro em seu corpo. “As fezes da baleia azul também ficam cheias de ferro e adubam o fundo do mar, já que o ferro é um nutriente essencial para o crescimento de algas”, explica.

Steve conta que ninguém sabe o quanto de cocô as baleias produzem, mas acredita-se que seja um bocado. “A baleia azul come de uma a duas toneladas de krill todos os dias. Boa parte disso entra pela boca e sai pelo outro lado!”, brinca o pesquisador.

Matéria publicada em 16.01.2013

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Mariana Rocha

Cresci gostando de fazer descobertas para escrever sobre elas. Na CHC consigo ser curiosa e escritora, tudo ao mesmo tempo!

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