Cavalo, elefante ou zebra?

Quatro patas. Focinho avantajado. Listras pelo corpo. Consegue imaginar um animal assim? Uma mistura de cavalo baixinho, estampado de listras como as zebras e dotado de uma minitromba que funcionava de maneira parecida com a de um elefante. Assim era o Hippidion, primo distante dos cavalos que viveu na América Latina entre 2,5 milhões e 11 mil anos atrás.

O <i>Hippidion</i> era uma espécie de cavalo baixinho, com lábio avantajado e corpo listrado. (ilustração: André Pinheiro)

O Hippidion era uma espécie de cavalo baixinho, com lábio avantajado e corpo listrado. (ilustração: André Pinheiro)

Seu lábio superior avantajado – que pode ser comparado a uma minitromba – foi descoberto pela paleontóloga Camila Bernardes, do Laboratório de Mastozoologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Ao comparar o crânio de Hippidion com o de cavalos atuais, ela observou que alguns ossos da cabeça dos hippidions formavam espaços vazios na região do focinho.

Nesses espaços, existiria grupos musculares que controlavam o seu lábio superior avantajado, e o Hippidion usava essa minitromba para comer plantas mais altas. Assim, conseguia viver no mesmo ambiente que os cavalos sem precisar competir por comida: ele ficava com as plantas mais altas e os cavalos, com as gramas.

Comparação entre os crânios de cavalos nativos da América do Sul, já extintos (A), de um cavalo doméstico atual (B) e de um <i>Hippidion</i> (C). (foto: Bernardes <i>et al</i>., 2013)

Comparação entre os crânios de cavalos nativos da América do Sul, já extintos (A), de um cavalo doméstico atual (B) e de um Hippidion (C). (foto: Bernardes et al., 2013)

Outra diferença entre os dois parentes é que o Hippidion era baixinho, da altura de um pônei – cerca de 1,2 metro. “Apesar de pequeno, ele era bem cabeçudo”, brinca Camila. Pelo corpo, possuía listras que, possivelmente, o ajudavam a escapar da caça. “A gente imagina que ele vivia em manadas e em ambientes mais abertos, e essas listras serviam para confundir os predadores”, explica a pesquisadora.

Parente que ficou para trás

Hippidions e cavalos nativos da América viviam juntos e na mesma época, mas, hoje só temos por aqui uma espécie de cavalos trazida pelos europeus. Por que os primos curiosos e os cavalos nativos desapareceram é uma grande curiosidade dos pesquisadores, que já formularam duas hipóteses sobre o tema.

“A primeira é que as mudanças climáticas provocadas há 11 mil anos durante a Era do Gelo (sim, aquela mesma do filme) tenham extinguido o Hippidion, além de outros animais”, conta Camila. Sabe-se que a América do Sul foi a área mais afetada durante esse período e, como os hippidions só existiam na América Latina, acabaram desaparecendo. Já os cavalos tinham representantes de diversas espécies espalhados por todo o mundo e, por isso, resistiram firmes e fortes até os dias de hoje.

A outra suposição é que a ação dos nossos antepassados, que caçavam e comiam o Hippidion, em conjunto com os predadores, como onças e tigres dente-de-sabre, fizeram com que os poucos hippidions sobreviventes da Era do Gelo desaparecessem. Uma pena!

Matéria publicada em 25.02.2014

COMENTÁRIOS

  • Tauros

    Bicho estranho né

    Publicado em 20 de agosto de 2020 Responder

  • Emanuela

    eu e meu irmão gostamos muito de animais

    Publicado em 20 de agosto de 2020 Responder

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Lucas Lucariny

Como bom futuro jornalista, gosto muito de ler, escrever e descobrir coisas novas. Sou fã de séries, filmes, futebol, música boa e, é claro, ciência!

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