Você, Cientista!

Você sabia que qualquer pessoa pode ser parceira da ciência?

 

Existem cientistas interessados em espécies raras, mas que não sabem nem onde nem como encontrá-las. Outros querem estudar um fenômeno natural que não tem dia certo para acontecer, como a floração de uma espécie de planta ou a queda de meteoritos. Questões como essas fazem os pesquisadores ficarem de cabelo em pé, pois eles não podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Não seria o máximo se eles tivessem várias pessoas para ajudá-los a monitorar a biodiversidade e os fenômenos da natureza?

Pois é exatamente isso que está acontecendo em diversas áreas da ciência. Pessoas que não são cientistas se oferecem para participar de pesquisas e ajudar a coletar dados que os pesquisadores profissionais dificilmente conseguiriam descobrir sozinhos. Essa parceria entre cientistas e amadores se chama ciência cidadã.

Graças ao uso de tecnologias, como a internet e aplicativos para celular, esse tipo de pesquisa tem se tornado comum no mundo todo. Esses estudos incluem, por exemplo, o acompanhamento de espécies migratórias, que viajam pelo planeta, como aves, tartarugas e baleias; a epidemia de doenças infecciosas; o acompanhamento das mudanças climáticas; e a busca por espécies raras. Em um estudo recente na Argentina, que buscava encontrar o raro sapo-de-chifres, moradores da zona rural ajudaram os cientistas a aumentar quase dez vezes o número de locais em que a espécie era conhecida anteriormente.

No Brasil, várias pesquisas se desenvolvem também pela participação popular e pela coleta de dados científicos por pessoas que não são cientistas profissionais. Há, por exemplo, estudos de levantamento de espécies de aves e mamíferos, de monitoramento de abelhas e outros polinizadores e até o registro de atropelamentos de animais silvestres nas estradas.

 

A jiboia-do-ribeira (Corallus cropanii) é uma das serpentes mais raras do mundo, ocorrendo apenas em matas do sudeste do estado de São Paulo. Os poucos exemplares conhecidos dessa espécie foram registrados por moradores da região, que relataram seu aparecimento para os cientistas.

Foto Bruno Rocha

 

O sapo-de-chifre, ou sapo-intanha (Ceratophrys ornata), pode ser encontrado na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil. Vários registros desse raro animal só foram possíveis graças ao apoio de moradores de áreas rurais que ficaram atentos ao aparecimento da espécie.

Foto Flickr Cuatrok77 CC BY-SA 2.0

 

Com a ciência cidadã, todos saem ganhando. Se, de um lado, os cientistas têm à sua disposição dados em grande quantidade e qualidade, do outro, a ajuda de voluntários contribui para conscientizar as pessoas e desenvolver nelas o pensamento científico. Que tal ser você também um colaborador da ciência? No site ‘Ciência Cidadã’, você encontra diversos projetos científicos brasileiros que contam com a ajuda de cientistas amadores.

 


Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,

Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos
favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Matéria publicada em 09.11.2018

COMENTÁRIOS

Envie um comentário

admin

CONTEÚDO RELACIONADO

Fala Aqui!

Este é o espaço para você falar com a CHC! Pergunta que a gente responde!

A cidade secreta dos cupins

Cientistas descobrem cupinzeiros gigantes no nordeste brasileiro