Pistas invisíveis na natureza

É possível identificar as espécies com pistas deixadas pelo DNA?

Estudar a biodiversidade é uma tarefa que exige muitas idas a campo, observações atentas na natureza e uma grande experiência na busca e identificação das espécies. Bom, pelo menos é assim que cientistas têm feito até agora. E sempre que possível vão incorporando novas tecnologias à maneira como catalogam os seres vivos.

É cada vez mais frequente a substituição de binóculos e cadernetas por modernos equipamentos, como armadilhas fotográficas, gravadores automáticos e drones equipados com escâneres. Muitas vezes as imagens e sons obtidos por esses aparelhos na natureza são analisados por potentes computadores que, por meio de inteligência artificial, aprenderam a identificar as espécies de plantas e animais ali registradas. Quando comparadas aos métodos tradicionais, essas tecnologias permitem estudar áreas muito maiores e em muito menos tempo.

Mas uma das principais novidades no auxílio de estudos de levantamento e monitoramento de espécies é a técnica de ‘DNA ambiental’. Todo animal deixa vestígios de DNA por onde passa, através de células (como as da pele) que naturalmente se desprendem de seu corpo a todo momento. Para saber as espécies que habitam um campo, uma floresta ou um rio, por exemplo, é possível coletar amostras de solo ou de água e, em laboratório, separar todo o material genético presente ali. Depois, basta comparar as sequências de DNA encontradas no ambiente com aquelas presentes em imensos bancos de dados que os cientistas compartilham pela internet, sendo possível então identificar de quais espécies elas pertencem.

Como verdadeiros detetives, cientistas podem catalogar as espécies em um ambiente através de vestígios de DNA presentes na água, no solo ou até mesmo no ar!
Imagem www.vigilife.org_en_our-technologies
Técnicas modernas, como a de DNA ambiental, podem agilizar muito os estudos de biodiversidade, especialmente em locais de difícil acesso e com grande número de espécies.
Foto MaxPixel/CC

Além de muito eficiente, esta técnica ajuda a registrar espécies que são difíceis de se visualizar ou capturar na natureza. Ela já vem sendo usada com sucesso para catalogar a biodiversidade e para buscar espécies raras ou até mesmo indesejáveis, como espécies invasoras. É ou não é uma verdadeira revolução nas ciências da natureza?


vinicius

Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,
Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Matéria publicada em 15.03.2022

COMENTÁRIOS

  • JOSÉ PEDRO SOUZA ANCLETO

    OLÁ CHC. MEU NOME E JOSÉ EU ADOREI A PESQUISSA SOBRE O DNA E QUERIA SABER O QUE ACONTESSE SE ALGUÉM BEBER ESSE DNA DE ANMAL OBRIGADO

    Publicado em 21 de março de 2022 Responder

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