Batpeixe!

Uma homenagem curiosa ao homem-morcego.

Em 1939 era lançada nas bancas dos Estados Unidos uma história em quadrinhos apresentando um novo super-herói: Batman, o homem-morcego. Foi um sucesso! Apesar de não ter superpoderes, o Batman é especialista em artes marciais e tem um monte de equipamentos tecnológicos que o ajudam a combater o crime na cidade de Gotham. Ele luta contra vilões temidos como Coringa, Duas-Caras, Pinguim, Charada e Hera-Venenosa, ao lado do seu fiel ajudante Robin!

Ao longo de 80 anos – isso mesmo, 80 anos! – de histórias em quadrinhos, desenhos animados, filmes, séries, videogames e muito mais, o Batman se tornou um dos super-heróis mais famosos do mundo. Pode perguntar para seus pais, tios, avós… aposto que todo mundo conhece o Batman. Alguns talvez até sejam fãs do homem-morcego, como o cientista colombiano Pablo Lehmann Albornoz, professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), no Rio Grande do Sul.

Capa da revista em quadrinhos com a primeira aparição do Batman, em maio de 1939.
Foto Rob Larsen/CC BY 2.0

Em 2006, Pablo publicou um estudo no qual apresentava a descoberta de uma nova espécie de peixe da Amazônia na Colômbia e no Peru – recentemente também encontrado no Brasil –, pertencente a um grupo de pequenos bagres que os cientistas chamam de Otocinclus. Em grego este nome quer dizer “ouvido com treliças”, por causa de uns buraquinhos nos ossos da cabeça desses peixes. Diferente das outras espécies de Otocinclus, a que Pablo encontrou tinha uma mancha preta muito curiosa na cauda, em forma de W, mas que também lembra a forma de um morcego. Ou melhor, lembra o símbolo de morcego que o Batman estampa em seu peito. Compare você mesmo a imagem e me diga o que acha. Ele pode ser ou não um batpeixe? Assim, a nova espécie ganhou o nome científico Otocinclus batmani, em homenagem ao vigilante de Gotham. Eu gostei da homenagem. Afinal, o Batman é o meu super-herói favorito!

Os peixinhos da espécie Otocinclus batmani medem até 4 centímetros de comprimento e vivem em pequenos riachos, onde se alimentam principalmente raspando algas grudadas em pedras. Por conta desse hábito, aquaristas chamam esses peixes de limpa-vidros.
Foto Pablo Lehmann Albornoz (UNISINOS) / Neotropical Ichthyology / CC BY-NC 4.0

henrique-caldeira

Henrique Caldeira Costa,
Departamento de Zoologia
Universidade Federal de Juiz de Fora

Sou biólogo e muito curioso. Desde criança tenho interesse especial em pesquisar os seres vivos, especialmente o mundo animal. Vamos fazer descobertas incríveis aqui!

Matéria publicada em 21.10.2019

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