Aceita um refrigerante natural?

Dá para imaginar que existia refrigerante no tempo em que os portugueses chegaram às nossas terras? Pois, segure o queixo: existia sim! A bebida fermentada chamada aluá fazia muito sucesso nas ruas e festas do período colonial do Brasil. A mistura de casca de fruta, água e açúcar começava a apresentar pequenas bolhas, como os refrigerantes que conhecemos. Mágica? Que nada! Microrganismos mesmo!

Ilustração Walter Vasconcelos

O açúcar que mais conhecemos é aquele branco ou marronzinho, usado para adoçar bebidas e outras receitas. Mas fique sabendo que açúcares são compostos chamados carboidratos, que estão presentes em um montão de outros alimentos, como frutas, pães batatas… Alguns microrganismos são loucos por carboidratos e, ao consumi-los, liberam gás (o gás carbônico, que faz as bolhinhas dos refrigerantes!) e outras substâncias.

Toda essa explicação inicial é para dizer que os microrganismos que consomem os açúcares dos ingredientes da receita do aluá são os responsáveis pelo frescor e pelo gostinho ácido e gasoso desse refrigerante natural. Daí o aluá ser considerado o primeiro refrigerante brasileiro!

Mas o tempo foi passando, as indústrias foram surgindo e, com elas, novos produtos. Por volta de 1870, apareceu o primeiro refrigerante industrializado e gaseificado em nosso país: a Gengibirra (Ginger Ale). A novidade fez com que a população fosse perdendo o interesse pelo aluá e outras bebidas artesanais.

O aluá, porém, não desapareceu para sempre. Especialmente nas regiões Norte e Nordeste, continua sendo um refrigerante artesanal tradicional, servido em festas católicas – como a junina e a natalina – e nas comemorações das religiões de origem africana.

Marco Antônio Lemos Miguel
Laboratório de Microbiologia de Alimentos
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Marcela Medeiros de Mesquita
Instituto de Nutrição Josué de Castro
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Edição Exclusiva para Assinantes

Para acessar, faça login ou assine a Ciência Hoje das Crianças

admin

CONTEÚDO RELACIONADO

Quem vê cara não vê coração

Já pensou em como nosso cérebro entende os ditados populares?

Nem tudo que cai na rede é para comer!

É possível escolher a melhor hora de consumir pescados e dar uma forcinha para o meio ambiente

Open chat