À espera de Zé Colmeia

Trina em seu novo lar no zoológico do Rio de Janeiro. Com queda d’água e várias piscinas, ele foi feito sob medida para ursos-pardos como ela (fotos: Mara Figueira).

A ursa Trina está feliz da vida! Ela acaba de se mudar. Ganhou um novo espaço no zoológico do Rio de Janeiro, feito sob medida para ursos-pardos como ela, e aguarda a transferência de seu noivo para o recinto. Ela deve passar a viver, dentro de alguns meses, na companhia de Zé Colmeia, um urso de circo que veio parar no zoo após passar cinco anos trancafiado em uma jaula. Experiência nada boa, que fez com que ele começasse a apresentar um comportamento que não era natural.

“A jaula em que o Zé Colmeia ficava no circo era vedada e pouco maior do que o seu tamanho”, conta a bióloga Débora Boccacino, do zoológico do Rio de Janeiro. “Isso fez com que ele passasse a esfregar a cabeça na grade, algo que continuou a fazer mesmo depois de chegar ao zoo em 2007 e começar a viver em um recinto bem maior.” Comportamentos repetitivos como esse costumam ser apresentados por animais mantidos em cativeiros, já que eles podem ficar estressados ou entediados por estarem confinados em um ambiente pouco estimulante se comparado à natureza (clique na tela abaixo e veja o urso Zé Colmeia sendo alimentado pela bióloga Débora Boccacino).

Receita de sucesso

Era preciso fazer algo por Zé Colmeia, que pertence a uma espécie encontrada em praticamente toda a região norte do globo e que é conhecida por ter um olfato apurado, ser boa na pesca do salmão e gostar de comer um pouco de tudo. “Sabemos que o estado em que ele se encontrava era de sofrimento”, explica Débora Boccacino, que cuida do urso-pardo desde o início deste ano, usando técnicas que têm o objetivo de tornar o ambiente mais estimulante para a exibição de seus comportamentos naturais.

Para manter Zé Colmeia o maior tempo possível longe da grade, por exemplo, a estratégia é oferecer itens – como alimentos – sempre distantes dela: na parte de trás do recinto onde o urso vive, dentro do tanque com água que há ali… “A ideia é fazer com que o Zé Colmeia possa focar em outros estímulos que o local onde ele vive tem a oferecer”, conta Débora Boccacino. Trilhas feitas com condimentos bem cheirosos – como canela, noz moscada e cravo – estimulam o olfato desse gigante de mais de cem quilos enquanto ele busca a comida do dia – que é escondida, espalhada em vários pontos do recinto e até mesmo congelada – ou pneus e galões de plástico bem resistente que funcionam como brinquedo e mantêm o animal ocupado por horas.

Zé Colmeia já foi atração de um circo e sofreu maus tratos. No zoo carioca, recebe tratamento especial.

Todas essas ações servem de passatempo para o urso-pardo, fazendo com que ele se afaste da grade, esqueça o comportamento que apresentava, e até mesmo se movimente mais, o que é bom para a sua musculatura. Portanto, não é à toa que, em apenas dois meses, Zé Colmeia esteja melhor e somente raramente aja como antes, o que abre caminho para que possa viver com Trina, a ursa.

Quase um parque aquático

A noiva aguarda o ex-urso de circo em um recinto que, em dias de sol, arranca suspiros até dos visitantes. Pudera! Pintado de azul e branco, com direito a queda d’água, além de piscinas de variadas profundidades, tem um quê de parque aquático. “Ele está muito próximo do que seria o ambiente natural do urso pardo, que normalmente vive em florestas, mas prefere as regiões próximas a rios, já que gosta muito de pescar”, conta Débora Boccacino. Clique na tela abaixo e veja como é o novo lar da ursa Trina, além da expectativa de seu noivo pela mudança.

Planejado com o auxílio de diferentes profissionais – biólogos, veterinários, zootecnistas, educadores ambientais –, a nova casa da ursa Trina tem também uma área coberta por cimento e outra com pedra e terra, para permitir que o animal tenha contato com superfícies diferentes e, se quiser, possa até cavar. “O fato de ser um recinto que não é completamente plano também permite que ela tenha descidas e subidas para percorrer, o que vai forçar um outro tipo de musculatura, que não seria exigida em uma área plana”, explica a bióloga do zoológico do Rio de Janeiro.

Há cerca de um mês no novo lar, a ursa que perdeu, há alguns anos, seu antigo companheiro Bimbo está bem mais ativa do que em sua antiga moradia, onde era mais fácil vê-la dormindo. Boa notícia para Zé Colmeia, que vai encontrar uma companheira cheia de energia, quem sabe até para criar futuros filhotes. Afinal, a expectativa no zoo carioca é que o namoro engrene e a dupla de ursos-pardos forme uma família de verdade. A CHC mal pode esperar para ver isso acontecer. E você?!

Matéria publicada em 27.04.2009

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Mara Figueira

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