Para começar, um pulo no Egito

Acho que fui uma criança comum. Como tantas outras, vivia imaginando uma máquina do tempo, que me levasse para o passado ou para o futuro. Achava que ela podia ser uma caixinha branca bem pequena, que, com um toque de botão, se transformasse em uma grande engenhoca.

Pois um dos lugares para onde eu mais queria ir com minha máquina fantástica era o Egito Antigo. Eu tinha aprendido na escola que as pirâmides do Egito tinham sido construídas por escravos hebreus, e sempre imaginava, misturando um pouco os tempos, aqueles escravos suando, carregando uns tijolos gigantescos, colocando uns em cima dos outros, até… chegar lá em cima! Neste ponto, eu sempre me perguntava: mas como eles não caíam lá do topo?

Com 143 metros de altura, a Pirâmide de Quéfren é a segunda maior do Egito Antigo (foto: Mohamed Aly).

Esta pergunta até hoje não sei responder. Mas já sei que as Pirâmides de Gizé, aquelas mais conhecidas, que ficam nos arredores da cidade do Cairo, não foram construídas por escravos coisíssima nenhuma. Quem as construiu foram trabalhadores, que recebiam um pagamento pelo trabalho.

Hoje sabemos disso por conta de uma série de descobertas arqueológicas feitas na região das pirâmides. Em janeiro deste ano, os arqueólogos egípcios divulgaram mais uma destas descobertas: as tumbas onde foram enterrados alguns destes trabalhadores! Construídas há mais de 4000 anos, elas continham cerveja e pão, honrarias que eles jamais teriam se tivessem sido escravos. Os egípcios antigos acreditavam na vida após a morte, e era importante que quem morresse tivesse depois o que comer e beber (para saber mais sobre a descoberta das tumbas dos trabalhadores egípcios, clique aqui).

Quando eu era criança, não tinha como saber nada disso. Então, ficava só com a minha imaginação e com a cabeça cheia de dúvidas e de vontade de saber as respostas. Muitos e muitos anos mais tarde, no entanto, realizei meu sonho e fui conhecer as pirâmides ao vivo. Antes que você pergunte, não fui de máquina do tempo: fui de avião mesmo. Entrei com coração batendo forte, mãos geladas – lá faz frio! – e um medinho de ficar trancada lá dentro para sempre com centenas de outros turistas como eu. Mas que nada, saí de lá bem viva e animada para continuar a viajar pelo tempo e pelo espaço.  A partir de agora, todo mês a coluna Máquina do tempo vai viajar para alguma época ou lugar diferente do nosso. Espero que você venha comigo, vou adorar a sua companhia!

 

 

Matéria publicada em 30.07.2010

COMENTÁRIOS

Keila Grinberg

Quando criança, gostava de visitar a Biblioteca Nacional, colecionar jornais antigos e ouvir histórias da época de seus avós. Não deu outra: hoje é historiadora e escreve para a coluna Máquina do tempo.

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