Rolinha-caldo-de-feijão, muito prazer!

Você já deve ter observado uma simpática ave que habita quintais, praças e ruas do Brasil, a famosa rolinha. Ela é umas das aves silvestres mais comuns nas áreas urbanas brasileiras e seu nome popular completo é rolinha-caldo-de-feijão. Por que ela tem esse apelido? Vem descobrir!

Foto Lena Geise

Na verdade, rolinha-caldo-de-feijão não é o único nome popular da estrela deste texto. Por conta de características como cor, tamanho e aparência, ela também é conhecida como rolinha-vermelha, rolinha-juruti e pomba-café, entre outros apelidos.

Para os cientistas, esta pequena e simpática ave é a Columbina talpacoti. A primeira palavra, Columbina, significa “que se parece com um pombo”, porque a rolinha é mesmo parente do pombo doméstico, aquele tão comum nos parques e praças das nossas cidades. A segunda palavra que constitui o nome dessa espécie é talpacoti, que é como os indígenas conhecem esta ave. 

A ave e o feijão

A rolinha mede aproximadamente 17 centímetros e pesa em torno de 47 gramas. Os machos e as fêmeas são diferentes: enquanto eles têm penas de coloração marrom avermelhada, com a cabeça cinza azulada, elas têm tonalidade completamente parda.

Um detalhe muito interessante é que, no corpo de machos e fêmeas existe uma série de pontinhos negros nas penas da parte superior das asas. Esse desenho caprichado dá às rolinhas a aparência de quê? Tente adivinhar! Ora, do nosso famoso caldinho de feijão, com os deliciosos grãos boiando – daí o apelido bem brasileiro. 

Hora do rango! 

A rolinha-caldo-de-feijão é uma ave granívora, ou seja, que se alimenta principalmente de sementes, mas não de feijão. Ela gosta de ciscar outros grãos, especialmente das gramíneas, como capim-pé-de-galinha e tiririca, além de pequenos frutos que encontram pelo chão.

É comum também encontrá-la frequentando comedouros para aves ou se aproveitando de restos de alimentos deixados pelos humanos. Pousadas em árvores, fios, antenas, calçadas e telhados, praças, jardins ou quintais, as rolinhas parecem estar sempre em busca de uma boa refeição. 

Casal de rolinhas-caldo-de-feijão: macho, à direita, e fêmea, à esquerda.
Veja o detalhe da coloração da rolinha-caldo-de-feijão. Não parece o caldinho tão famoso?
A rolinha-caldo-de-feijão se alimenta de grãos e de farelos que encontra no chão.
Fotos Antônio Carlos de Freitas

Brigas e filhotes 

As rolinhas-caldo-de-feijão podem ser muito agressivas entre si. Disputam alimentos e defendem territórios usando uma das asas para dar fortes pancadas no oponente. Porém, o mesmo comportamento de levantar as asas é adotado pelos machos quando desejam conquistar uma fêmea para namorar.

Após a formação dos pares, o casal constrói um ninho em forma de taça, feito de ramos e gravetos entrelaçados. Os ninhos podem ser construídos até mesmo em janelas de residências. Normalmente, a fêmea põem dois ovos brancos, que são chocados por ela e também pelo macho. Os filhotinhos levam de 11 a 13 dias para romper a casca e deixam o ninho depois de 12 dias de vida.

Se você estiver pensando em comparar a rolinha-caldo-de-feijão com um pé de feijão, saiba que tudo é bem mais lento quando se trata da planta. O pé de feijão, que nasce a partir do plantio da semente no solo, leva entre 75 e 95 dias após ter germinado para dar fruto – no caso, uma vagem que contém as novas sementes. É ou não é bem mais do que o tempo que uma rolinha leva para nascer? Outra curiosidade é que, ao contrário da rolinha, que pode gerar filhotes durante o ano todo, o feijão só deve ser plantado em três épocas específicas do ano. Bem diferente! 

Rolinha-caldo-de-feijão se preparando para dormir.
Hora de dormir para a rolinha-caldo-de-feijão.
Fotos Lena Geise

O futuro da rolinha e… do feijão! 

Aqui no Brasil, as rolinhas-caldo-de-feijão aparecem em quase todo o nosso território. Estão presentes também em toda região que vai do Uruguai até o México. Por coincidência, o feijão também é originário da América do Sul, no Peru, e o hábito de comer a iguaria junto com seu caldo surgiu por volta de 12 mil anos atrás. Vale destacar, porém, que, diferentemente da rolinha-caldo-de-feijão, que foi ampliando seu território por conta própria, o apetitoso grão precisou da ajuda dos humanos para se espalhar pelo mundo.

Seja animal ou vegetal, várias ações do ser humano modificam o habitat natural das espécies. Você desconfia de alguma? As grandes construções e o desmatamento fazem parte do conjunto de modificações no ambiente que colocam em risco a vida não só da rolinha, mas também de muitos outros seres vivos.

Para você que é um(a) ornitólogo(a) de coração e se encantou pela rolinha-caldo-de-feijão, vale a pena assistir a este vídeo produzido pelos mesmos autores do texto. Para ouvir o canto, clique aqui 

Ricardo Tadeu Santori
Maria Cristina Cardoso Ribas
Faculdade de Formação de Professores,
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Thiago Saide Martins Merhy
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 24.01.2023

COMENTÁRIOS

Envie um comentário

admin

CONTEÚDO RELACIONADO

Campeonato carioca (de samba)!

Qual a origem e o que conta nos desfiles das escolas de samba?

Cofrinho da natureza

Na cultura chinesa, o porco é símbolo de prosperidade e riqueza. Por esta razão, muitos cofrinhos têm o formato desse animal. E se há algo que podemos afirmar com segurança é que “para ter sempre, é preciso poupar”.