Espécie pré-histórica trocava o voo pela vida no chão da floresta
Espécie pré-histórica trocava o voo pela vida no chão da floresta

Nome: morcego-vulcano (Vulcanops jennyworthyae)
Origem: Nova Zelândia, Oceania
Tamanho: cerca de 40 centímetros da ponta de uma asa à ponta da outra
Peso: cerca de 40 gramas
Época em que viveu: entre 16 e 19 milhões de anos atrás (Período Mioceno)
Numa toca, no chão da floresta, vive um morcego… Toca? Sim! Enquanto a maioria dos morcegos vive empoleirada em árvores, no teto das grutas, procurando seu alimento em voos por aí, alguns têm hábitos semiterrestres, vivem em tocas e passam a maior parte do tempo procurando comida no solo da mata. No cardápio destes morcegos está uma variedade de artrópodes (aranhas, gafanhotos, entre outros), frutos, néctar e pólen.
Notou que estamos falando desses animais no presente? Pois é! Esse grupo de morcegos ainda existe entocado em um único lugar do planeta, a Nova Zelândia, país cheio de vulcões, que fica na Oceania. Esses morcegos de hábitos diferentes são chamados mistacinídeos, e, atualmente, existem apenas duas espécies desta família, as duas ameaçadas de extinção. As demais já foram extintas.

No passado, os mistacinídeos eram mais diversos e habitavam diferentes regiões. São conhecidas oito espécies fósseis desse grupo de morcegos, que viviam tanto na Nova Zelândia quanto na Austrália. Uma dessas espécies pré-históricas foi o morcego-vulcano.
Esse morcego andou pelo chão das florestas da Nova Zelândia entre 16 e 19 milhões de anos atrás, no Período Mioceno. Os cientistas escolheram o nome Vulcanops por três motivos: uma referência a Vulcano, o deus romano do fogo e dos vulcões; por conta do Hotel Vulcan, no vilarejo onde os fósseis foram encontrados; e, por último, por causa dos vulcões ativos que ainda existem na Nova Zelândia. Já o nome jennyworthyae é uma homenagem à cientista australiana Jennifer Worthy, que auxiliou na descoberta dos fósseis do Vulcanops e de diversos outros vertebrados extintos da Nova Zelândia.
Assim como seus parentes atuais, o morcego-vulcano incluía em sua dieta tanto artrópodes quanto frutos. Mas seus dentes tinham características únicas entre os mistacinídeos, que indicavam que a espécie poderia ainda se alimentar de carne.
Comparando o tamanho dos dentes do Vulcanops com os de outros morcegos, cientistas concluíram que essa espécie era relativamente grande. Pode parecer pouco, mas ele teria sido maior que a maioria dos morcegos atuais e pesaria três vezes mais do que seu parente que ainda vive, o Mystacina tuberculata, que pesa cerca de 13 gramas.
Seu tamanho avantajado, hábitos terrestres e dentes especializados sugerem que o morcego-vulcano conseguia caçar pequenos vertebrados, como sapos e lagartos, no chão da floresta.
Fred Victor de Oliveira,
Programa de Pós-Graduação em Zoologia,
Universidade Federal de Minas Gerais.