Manual de sobrevivência extraterrestre – PARTE II

Você aí, superfã da CHC, acompanhou a primeira parte deste manual na edição anterior. Mas você, que chegou agora, também pode ficar por dentro de muitas estratégias que alguns seres vivos desenvolvem instintivamente para sobreviver a situações extremas. Esses truques, quem sabe, podem ser muito úteis em viagens para fora do planeta!

Manual de sobrevivência extraterrestre – PARTE II
Ilustrações Walter Vasconcelos

Socorro, acabou o oxigênio!

Está com passagem marcada para Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano ou Netuno? Olha lá! Já pensou que em nenhum dos demais planetas do Sistema Solar há oxigênio livre e respirável? Aqui na Terra, a produção de oxigênio é feita pelas plantas e também por organismos aquáticos microscópicos. Mas há seres que conseguem obter energia sem oxigênio. Na falta, usam enxofre. É o caso de algumas bactérias e arqueias. Esses microrganismos talvez conseguissem sobreviver em um ambiente sem oxigênio e com boa disponibilidade de compostos gasosos de enxofre. Mas pense bem se essa é uma adaptação interessante, porque se tem algo que fede muito, muito mesmo, são compostos de enxofre! Eca!

Como uma uva-passa

Se for para Marte com a intenção de visitar as salmouras que talvez se formem por lá e quiser levar o seu peixinho de estimação para nadar nessas águas extremamente salgadas, saiba que as chances de ele virar uma uva-passa são enormes! Isso aconteceria porque o sal desses ambientes “puxa” a água para fora das células, fazendo-as murchar e impossibilitando a vida. Dos seres aqui da Terra, somente alguns microrganismos chamados halofílicos (palavra que vem do grego e significa ‘amigos do sal’) poderiam ter alguma chance de sobreviver. Esses seres conseguem equilibrar a concentração de sais dentro deles, evitando a perda de água excessiva. Assim, suas células seguem funcionando mesmo em ambientes extremamente salgados.

Leticia Dobler,
Instituto de Química
Universidade Federal do Rio de Janeiro