De carona no ônibus espacial

Qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça ao ouvir o termo “ônibus espacial”? Seria um foguete com as pessoas sentadas em fileiras, todas a caminho do espaço, espiando a Terra de suas janelinhas? Divertido, hein?! Saiba que os ônibus espaciais existiram mesmo, mas não eram assim… Eles se assemelhavam aos aviões. E eram enormes! Decolavam como um foguete, voavam no espaço como um cometa e depois aterrissavam normalmente em uma pista de pouso, como um avião. Criados pela NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, esses “ônibus voadores” realizaram 135 missões incríveis, entre 1981 e 2011. Levaram ao espaço 355 astronautas de 16 países diferentes. Mas como eles eram? De que maneira funcionavam? E por que não viajam mais? Apresente seu bilhete, porque a nossa viagem já vai começar!

De carona no ônibus espacial
Ilustração Jaca

Um ônibus espacial era como um superfoguete gigante, de quase 60 metros de comprimento, o equivalente a um prédio de 20 andares. Mas o que ia para o espaço era somente o orbitador, a parte principal, que era parecida com um avião. O orbitador media 37 metros de comprimento, tinha asas de 24 metros e carregava dois foguetes acoplados que transportavam combustível sólido e davam o empurrão inicial. Havia também um tanque externo, que era branco nas primeiras missões e laranja nas finais, cheio de combustível líquido. No total, um ônibus pesava cerca de duas mil toneladas (ou dois milhões de quilos!) no lançamento.

Ao longo do programa Space Shuttle, como era chamada a missão dos ônibus espaciais, foram utilizados cinco orbitadores principais. O primeiro a ser construído, o Enterprise, realizou, em 1977, alguns voos baixos acoplado a um enorme avião Boeing 747, quando testou pousos. Foi também utilizado para diversos outros testes ao longo de sua vida útil, mas nunca foi lançado em órbita.

Os orbitadores tinham sempre nomes de navios históricos, mas o Enterprise foi uma exceção por causa da pressão de fãs da série de ficção científica Jornada nas Estrelas (Star Trek, em inglês).

De carona no ônibus espacial
Elenco de Jornada nas Estrelas (Star Trek), série de ficção científica que inspirou o nome do Enterprise.
Foto NASA

A partida

O orbitador Columbia foi o primeiro a realizar um voo orbital, ou seja, quando uma espaçonave atinge velocidade suficiente para dar uma volta completa ao redor da Terra, viajando em sua órbita. Depois, foram construídos o Challenger, o Discovery (recordista de número de voos, com 39!), o Atlantis (que realizou a última missão) e o Endeavour.

O lançamento era um espetáculo: logo na saída, os foguetes aceleradores queimavam o combustível sólido e os três motores principais do orbitador queimavam o hidrogênio e o oxigênio líquidos, que estavam no tanque externo. Após dois minutos, o combustível sólido terminava e eles eram ejetados, caindo no mar usando enormes paraquedas. Esses paraquedas mediam quase 30 metros de diâmetro e eram muito caros. Por isso, tanto os foguetes quanto os paraquedas eram recuperados e reutilizados.

Menos de 10 minutos após o lançamento, o combustível líquido acabava e o tanque externo era desacoplado e se desfazia na atmosfera, num belo espetáculo de chamas. O orbitador ficava então sozinho no espaço, utilizando seus próprios sistemas de propulsão para as manobras necessárias, por 5 a 16 dias, dependendo da missão.

Todos os ônibus espaciais partiram da base de lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida, nos Estados Unidos. Atingiam 28 mil quilômetros por hora para entrar em órbita, a uma altitude de 300 quilômetros.

Eder Cassola Molina,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo.