Detetives da linguagem

Sabia que há cientistas no mundo inteiro que se dedicam a estudar a linguagem e a comunicação, e não só entre humanos? Pois é! Há biólogos, primatólogos, linguistas, antropólogos… E cada grupo pesquisa esse assunto com o foco da sua área. A partir de agora, você vai acompanhar o trabalho muito curioso de um grupo de neurocientistas, isto é, de cientistas que estudam o cérebro, que, em parceria com pesquisadores de diferentes áreas, quer saber como a linguagem humana acontece dentro da cabeça da gente!

Detetives da linguagem
Ilustração Marcelo Pacheco

A conversa que teremos aqui revela um pouquinho do resultado do trabalho de uma equipe de neurocientistas do Brasil e dos Estados Unidos que fazem projetos com pesquisadores e pesquisadoras de diferentes áreas para desvendar o mistério que envolve a linguagem e a comunicação. E aqui vão algumas perguntas que todos querem responder…

Quais partes do cérebro trabalham juntas para criar e produzir as palavras e frases que usamos para nos comunicarmos uns com os outros? Como aprendemos a linguagem no início da vida? Ela muda quando aprendemos novos idiomas? Ela pode mudar ao longo do tempo, por exemplo, à medida que envelhecemos ou quando ficamos doentes e perdemos nossas habilidades de linguagem ou memória?

Aves e macacos

Em um dos projetos, neurocientistas e linguistas – que são especialistas no estudo da linguagem humana, incluindo as palavras, os sons e o sentido do que é falado – se juntaram para investigar algo interessante: será que a linguagem humana evoluiu junto com a música? O mais curioso é que eles também discutem se esse sistema, ligado tanto à música quanto à linguagem, pode existir em outras espécies, como as aves.

Além disso, acreditam que habilidades como a fabricação de ferramentas, desenvolvidas por nossos ancestrais ao longo da evolução, podem ter ajudado no surgimento de habilidades mais complexas, como a linguagem. E não precisamos viajar no tempo para estudar isso! É possível aprender muito observando nossos parentes distantes na natureza, como algumas espécies de macacos atuais. Por isso, a equipe tem um grupo de primatólogos, especialistas em primatas, que vão a campo – quer dizer: passam boas temporadas vivendo no ambiente onde macacos vivem – para estudar, por exemplo, como macacos-prego usam ferramentas.

Detetives da linguagem
Macaco-prego fêmea observada durante visita de campo do grupo de primatólogos no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.
Foto Andrews Michel F. O. Nunes / Instagram @cpcomportamento

Patricia Silva de Camargo,
Instituto de Biociências,
Universidade de São Paulo.

Analía Arévalo,
Faculdade de Medicina,
Universidade de São Paulo.

Catherine Bevier,
Departamento de Biologia,
Colby College (EUA).