Vaga-lumes: a linguagem do pisca-pisca

Você já reparou naquele bichinho que vive piscando à noite? Você sabe por que os vaga-lumes piscam? A vaga-lume fêmea pisca para avisar ao macho que ele pode se aproximar dela para o acasalamento. O pisca-pisca também serve para espantar os inimigos, pois toda vez que a luz pisca, produz-se uma substância tóxica no corpo do vaga-lume. Está vendo como os animais podem se comunicar pela linguagem do pisca-pisca?

Quando uma pessoa está dirigindo um carro e quer indicar que vai entrar à direita, ela liga o pisca-pisca para a direita e pronto! Quem está na rua, pedestre ou automóvel, já sabe o que significa aquele sinal. Mas pouco se sabe sobre a função da lanterna do vaga-lume. Mas certamente ela funciona, como o pisca-pisca do carro, como uma ’linguagem’ entendida só no mundo dos vaga-lumes e dos bichos que os rodeiam.

Um vaga-lume macho sobrevoa a vegetação espessa à procura da fêmea para o acasalamento. Enquanto voa, vai piscando num ritmo próprio de sua espécie. Lá embaixo, a fêmea da mesma espécie vagalumeia no mesmo ritmo, como que para avisar que o macho pode se aproximar.
Um louva-a-deus vai chegando perto do vaga-lume ’apagado’. Vê o inseto e prepara o bote, certo de que ali está uma boa refeição. De repente, o pirilampo pisca e o louva-a-deus desanima. Como muitos vaga-lumes têm toxina em seu corpo, eles são presas pouco saborosas. O sinal luminoso serve para avisar ao predador que aquela comida não é das melhores.

Uma fêmea de vaga-lumes procura um lugar para pôr seus ovos. Encontra, no meio da mata, um pedaço apodrecido de madeira. Mas se a madeira ’piscar’, a fêmea fica avisada de que deve procurar outro canto. Aquele já está ocupado… As larvas de certas espécies de pirilampo gostam de viver de inquilinas dos cupinzeiros. Elas até que se dão bem com os cupins e, quando piscam, ao entardecer, atraem para as proximidades outros insetos dos quais as larvas se alimentam.

Os vaga-lumes são besouros de um tipo especial, pois emitem luz. Há três famílias diferentes de vaga-lumes — os elaterídeos, os fengodídeos e os lampirídeos –, que se distinguem, entre outras coisas, pelo lugar onde ficam os órgãos luminescentes e pela freqüência e cor da luz emitida.

Na linguagem do pisca-pisca, é preciso haver combustível que não deixe faltar luz! No caso dos vaga-lumes, a luz que emitem pelos órgãos fosforescentes é o resultado de uma reação química entre várias substâncias. Essa reação química é ’acelerada’ por uma enzima chamada luciferase, na qual uma substância de nome luciferina — o ’combustível’ da luminescência — é oxidada, isto é, queimada por combustível, resultando em gás carbônico e no produto luminescente. Quem pegar na mão um vaga-lume ’aceso’ não vai se queimar, porque nessa reação química não há produção de calor. Por isso, a luz dos pirilampos é chamada de luz fria.

Matéria publicada em 11.09.2000

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Cleide-Costa

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