Uma conversa sobre livros e dobraduras

Viajar sem sair do lugar é possível? Sim, basta ler um livro! São tantos mundos mágicos, cheios de cores, lugares misteriosos, com seres fantásticos e até perigos! Como deve ser uma pessoa que cria esses universos de fantasia? Para entender um pouco o que se passa na cabeça de um autor de livros infantojuvenis, eu conversei com a escritora e ilustradora Tereza Yamashita, autora de diversas obras e contos.

Tereza é autora premiada e coautora de muitas outras obras, ela também cria imagens para muitos livros. Além disso, é colaboradora da CHC e tem contos publicados nas páginas da revista.

Tereza Yamashita já participou da elaboração de diversos livros infantis, como ilustradora e autora das histórias (foto: reprodução)

Tereza Yamashita já participou da elaboração de diversos livros infantis, como ilustradora e autora das histórias. (foto: reprodução)

Agora, ela está lançando seu segundo livro ‘solo’ (neste, somente ela é a autora!), Mãos mágicas, uma história que fala sobre uma das suas paixões pessoais, o origami (técnica oriental de dobradura de papéis). Tereza nos conta um pouco sobre o processo de criação e de onde vem sua inspiração. Segundo a autora, o segredo para contar belas histórias está na própria leitura e em ter um olhar atento para os pequenos detalhes do nosso dia a dia. Então, se um dia você quer ser um escritor de sucesso, mantenha os olhos abertos e boa leitura!

Para quem quiser continuar a conversa, no dia 29 de março, sábado, Tereza Yamashita estará na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo, das 15h às 18h, para falar sobre origami, imaginação e autografar suas obras. O evento vai contar com uma minioficina e uma miniexposição de origami para as crianças.

CHC On-line: Por que você decidiu escrever livros para crianças?
Tereza Yamashita: A literatura sempre fez parte da minha vida. Quando criança, meu pai lia muito, tínhamos muitos livros e gibis em casa! Na adolescência, era tímida e adorava meus diários, onde escrevia e desenhava – pena que não guardei nenhum! Depois de adulta, sempre trabalhei com criação, ilustração… e depois que minha filha nasceu (hoje ela tem vinte anos), passei a ler muitos livros infantis e a trabalhar na área.

Qual é o seu objetivo quando escreve um livro e qual é o maior desafio desse trabalho?
Gosto de contar histórias que emocionem as pessoas, que façam alguma diferença em suas vidas. O maior desafio é vencer a insegurança, nunca ficamos totalmente satisfeitos com o que escrevemos e pensamos mil vezes antes de finalizar uma obra.

Tereza já colaborou algumas vezes com a Ciência Hoje das Crianças, juntando, é claro, ilustração e origami (foto: reprodução)

A criativa artista já colaborou algumas vezes com a Ciência Hoje das Crianças, juntando, é claro, ilustração e origami, duas de suas grandes paixões. (foto: reprodução)

Como é o dia a dia de uma artista e escritora de livros infantis?
O meu dia a dia é bem comum. Acordo cedo, vou para o estúdio e sou recebida pelo meu gato Sansão, que é uma de minhas fontes de inspiração. Com o origami aprendi a observar os pequenos detalhes e acho que todos que quiserem trabalhar com criação precisam estar sempre atentos para ver as cores, luzes e situações do dia a dia. Quando as ideias surgem, anoto numa caderneta ou fotografo. Para um escritor, qualquer coisa pode servir de inspiração: uma palavra diferente, um objeto estranho, uma história triste ou divertida que te contam, um céu avermelhado, uma sombra na calçada. Mas, antes de escrever, o importante é ler muito e de tudo – gibis, revistas, jornais, e todo tipo de livro!

Você pode contar um pouco sobre Mãos mágicas, seu novo livro?
Para começar, eu adoro a milenar arte do origami. Sempre gosto de reunir nos meus trabalhos as três atividades pelas quais tenho fascínio: adoro brincar com o papel (origami), com o barro (cerâmica) e com as palavras (literatura). Em Mãos mágicas, acompanhamos Quadradinha de Papel e Fininho de Papel, que são os personagens principais, e o origami está em toda parte. Ele permite transformar o papel em mil coisas, animais, flores e objetos do dia a dia. Gosto de pensar que, da mesma forma, o ser humano também pode se modificar, crescer, evoluir, aprender a conviver com medos e frustrações e também ver que a vida pode ser bem divertida, com muita arte!

Como o origami entrou na sua vida?
Aprendi com meu pai, que aprendeu com o pai dele, rs. O que mais me encanta nessa técnica é a precisão, os encaixes perfeitos, nada é aleatório. Tudo é milimetricamente pensado em termos de dobras e encaixes. É geometria pura. E arte pura também, com poder de transformar um simples papel plano em algo tridimensional. Não é incrível?

Em Mãos Mágicas, novo livro da autora, os leitores  poderão fazer uma incrível viagem pelo mundo do origami. (foto: reprodução)

Em ‘Mãos Mágicas’, novo livro da autora, os leitores poderão fazer uma incrível viagem pelo mundo do origami. (foto: reprodução)

Você acha que os livros infantis podem aproximar as crianças da arte e da ciência?
Minha filha, quando pequena, me questionava sobre algumas matérias que não gostava na escola. Sempre respondi que a vida é matemática, é ciência e é história. Não vivemos sem os seus princípios, tudo está relacionado, interligado. Hoje minha filha estuda medicina e precisa de tudo isso. Mas até para comprar um doce, nós precisamos saber seu preço, seu peso, do que ele é feito. E os livros podem, de maneira lúdica, aproximar as crianças dessa realidade de ciência e artes.

Numa época em que as crianças passam tanto tempo no computador e no celular, qual a importância que você vê em explorar as habilidades do origami?
Para mim, a tecnologia é incrível e insubstituível, mas devemos tomar certos cuidados. Com o origami, eu tive uma experiência interessante: quando minha filha era pequena, eu ensinava origami pra ela sempre que ficava muito agitada, porque a principal habilidade que ele ensina é a paciência, o poder de se concentrar e perseverar. Mas nem sempre era simples, pois as crianças de hoje são muito agitadas, já que quase não podem mais brincar na rua, subir em árvores e gastar energia, só vivem estressadas com cursos e atividades desde cedo.

Você gostaria de dizer algo mais para nossos jovens leitores?
Brinquem muito, estudem muito, leiam muito, abracem muito, deem boas gargalhadas com os amigos, comam muitas frutas (e até algumas guloseimas) e façam arte!

 

Matéria publicada em 28.03.2014

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Marcelo-Garcia

Sou um curioso apaixonado por ciência e adoro quadrinhos e ficção científica. Quase virei cientista, mas preferi me dedicar a mostrar pra todo mundo que a ciência está em tudo ao nosso redor!

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