Um novo fotógrafo no espaço

O telescópio espacial James Webb deverá ser lançado em 2013 e substituirá o Hubble. (Crédito: Nasa).

Após 17 anos tirando fotos dos cantos mais obscuros e jamais vistos do universo, o Hubble, primeiro telescópio espacial lançado pela Nasa, pode estar com os dias contados. Ele deve ser substituído pelo telescópio James Webb, que tem lançamento previsto para 2013.

Como o Hubble, o James Webb observará o universo a partir do espaço e, por isso, estará um passo à frente dos telescópios na Terra. Isso porque, na hora de captar a luz dos corpos celestes e, assim, formar imagens de cada um, esse telescópio não terá como obstáculo a atmosfera – a camada de gases que envolve o nosso planeta e que interfere na formação dos retratos dos astros.

Assim como o primeiro telescópio espacial já lançado pela Nasa, o James Webb terá a missão de aprofundar o conhecimento sobre processos como o nascimento de uma estrela, a evolução das galáxias e a formação das primeiras estruturas no Universo. Porém, o novo telescópio também conta com novos objetivos – e equipamentos.

Enquanto o Hubble tem cerca de 13 metros de comprimento, quatro metros de largura e um espelho coletor de luz com quase dois metros e meio de diâmetro, o James Webb tem 22 metros de comprimento por 12 metros de largura e um espelho coletor com pouco mais de seis metros e meio de diâmetro, que lhe permitirá cobrir uma área quase 15 vezes maior que seu antecessor e coletar quase sete vezes mais luz.

O James Webb também estará mais distante de nós do que o pioneiro dos telescópios espaciais. Enquanto o Hubble está a pouco menos de 600 quilômetros da superfície terrestre, em órbita ao redor do planeta, o James Webb ficará a um milhão e meio de quilômetros de distância, acompanhando a Terra em seu movimento ao redor do Sol, mas sem girar em torno do nosso planeta.

Pelo desenho, é possível perceber como o James Webb (JWST) estará mais distante da Terra do que o Hubble. (Crédito: Nasa).

No espaço, o novo telescópio terá sua atenção voltada para as luzes infravermelhas, ao contrário do Hubble, que está voltado para as luzes ultravioletas e as visíveis ao olho humano. Ter um telescópio captando luz infravermelha é importante porque somente assim podemos identificar o que está escondido atrás ou dentro de nuvens de poeira cósmicas, como estrelas e planetas que acabaram de se formar. Isso porque a luz infravermelha – emitida por esses astros – é a única que consegue atravessar essas nuvens. Além disso, objetos frios, como planetas, emitem infravermelho e, para enxergar objetos distantes no Universo, também é preciso utilizar essa forma de luz, pois esses corpos celestes ficam “avermelhados” devido à expansão do Universo.

Com potente visão e posicionamento privilegiado, o James Webb superará o Spitzer, atual telescópio espacial de infravermelho, em alcance e definição das imagens, tornando-se um instrumento de observação de grande utilidade para os cientistas.

Quanto ao Hubble, a NASA tem uma nova e, provavelmente, última missão de manutenção e atualização prevista para 2008. Os astronautas levarão novos equipamentos, dispositivos e baterias que estenderão os trabalhos do telescópio até 2013. “Depois disso, as missões de manutenção, possivelmente, ficarão muito caras e não valerão a pena. Assim sendo, os cientistas da Nasa devem deixar o Hubble cair na atmosfera terrestre e ser desintegrado, assim como os russos fizeram com a Mir, antiga estação espacial”, diz Martín Makler, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.
Agora é esperar para ver se o James Webb será tão bom fotógrafo quanto planejado e o que ele tem a nos mostrar. Além disso, vale torcer para que tudo funcione bem, porque não existe a possibilidade de um astronauta viajar 1,5 milhões de quilômetros para apertar alguns parafusos.

O nome do novo telescópio espacial da NASA é em homenagem a James E. Webb, diretor da agência espacial americana de 1961 até 1968. Ele foi um dos grandes responsáveis pelo programa Apolo, que levou o homem à Lua.

Matéria publicada em 19.05.2010

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Felipe-Caruso

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