Um detetive espacial

Repare nesta impressionante imagem obtida pelo Hubble: a galáxia acima foi apelidada de Sombrero , pois seu formato lembra o típico chapéu mexicano (foto: Nasa e Hubble Heritage Team - STScI/AURA)

Ele tira muitas fotografias, tem uma visão para lá de boa e consegue medir precisamente a posição de um objeto . Quem será? Um detetive? Não, é o telescópio Hubble, que revolucionou a astronomia e trouxe muitas novidades para a ciência!

Há muito tempo o ser humano se dedica a observar os astros. O físico Galileu Galilei foi um dos primeiros a estudar os céus usando a luneta, um longo tubo com uma lente em cada ponta. Com esse instrumento, Galileu pôde ver que a Lua tem crateras e que Vênus tem fases! Mas a luneta não conseguiu satisfazer toda a curiosidade dos cientistas e eles começaram a aperfeiçoar esse instrumento. Até que chegaram ao telescópio! Diferente da luneta, o telescópio tem um espelho em uma de suas pontas. E finalmente, nos anos de 1940, um astrônomo americano propôs um telescópio que ficava fora da órbita terrestre. Essa idéia foi a sementinha do Hubble!

 

Tente imaginar quantas estrelas existem nesse pedaço do céu fotografado pelo Hubble! (foto: Hubble Heritage Team - AURA/STScI/Nasa)

Em 1990, a Nasa, a agência espacial americana, lançou um telescópio ao espaço pela primeira vez. Deram a ele o nome Hubble em homenagem ao astrônomo americano Edwin Powell Hubble, que descobriu a expansão do universo , ou seja, descobriu que as galáxias distantes se afastam entre si, de modo que o universo está sempre em expansão. O telescópio foi colocado em órbita a aproximadamente 600 quilômetros da superfície da Terra. Nessa posição, ele consegue investigar o espaço com muito mais eficiência do que qualquer outro telescópio na superfície terrestre. Você sabe por quê?

Toda informação que se pode obter de um astro vem da luz que sai dele. O Hubble está fora da Terra. Então, a luz chega nele diretamente, sem passar pela atmosfera. Os telescópios que estão na superfície da Terra vêem através dessa camada de ar que envolve o nosso planeta. Por isso, os objetos ficam distorcidos, como se estivéssemos vendo através da água. Com o Hubble, esse problema é evitado. Por isso ele revolucionou a astronomia!

Esse telescópio tem uma missão muito difícil: explorar o Sistema Solar, medir a idade e o tamanho do universo, além de ajudar a desvendar os mistérios das galáxias, das estrelas, dos planetas e da própria vida. Para isso, ele fotografa os astros e é capaz de saber exatamente onde se localizam! Depois envia os resultados de suas pesquisas para a Terra. Você deve estar se perguntando: mas de onde vem sua energia? Ele possui uma pilha gigante?

Nada disso! O Hubble tem bateria, equipamentos de comunicação e um sistema de controle. Para manter tudo isso funcionando, ele possui dois painéis solares que coletam a energia do sol. E se algo quebra no telescópio, missões saem da Terra para consertá-lo! Assim, ele pôde funcionar durante os últimos quinze anos e contribuir muito para a ciência.

O Hubble não vive só de fotografar estrelas e galáxias! Astros mais próximos, como os planetas do Sistema Solar, também são observados pelo telescópio espacial. Acima, fotos de Júpiter (esquerda) e Saturno (fotos: Nasa)

Mas o Hubble não vai ficar no espaço para sempre. Já está sendo projetado um novo telescópio para ficar em seu lugar, que deve ser colocado em órbita em 2011 para fazer descobertas ainda maiores sobre os mistérios do espaço. A tecnologia avança a cada segundo! Será que um dia poderemos pegar um ônibus espacial e ver com nossos próprios olhos as galáxias, estrelas e planetas?

 

Matéria publicada em 12.05.2005

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Clara Meirelles

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