Salvem a Mantiqueira

O que é o que é: uma cadeia montanhosa com aquele clima de friozinho gostoso que se estende por três estados brasileiros e é lar para diversas espécies da fauna e da flora. Já adivinhou? Estamos falando da Serra da Mantiqueira!

Parque Nacional do Caparaó, no extremo norte da cadeia de montanhas. (foto: André Freitas)

Parque Nacional do Caparaó, no extremo norte da cadeia de montanhas. (foto: André Freitas)

Ameaçada pela ação do homem, ela já vem sofrendo as consequências –- várias de suas espécies estão correndo o risco de desaparecer. Por isso, um grupo de cientistas criou o projeto Mantiqueira Viva, que tem como objetivo transformar parte da cadeia montanhosa distribuída pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais em patrimônio ambiental. A medida servirá para conversar suas paisagens pelo controle da ocupação humana na região e das atividades econômicas desenvolvidas.

A iniciativa contou com a participação do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp), que contribuiu para organizar um abaixo-assinado online pedindo o tombamento da serra –- ou seja, sua transformação em patrimônio ambiental. Já foram reunidas mais de 10 mil assinaturas!

Floresta pluvial com trepadeiras, palmitos e samambaias arbóreas nas encostas úmidas, no Parque Nacional de Itatiaia, Rio de Janeiro. (foto: André Freitas)

Floresta pluvial com trepadeiras, palmitos e samambaias arbóreas nas encostas úmidas, no Parque Nacional de Itatiaia, Rio de Janeiro. (foto: André Freitas)

“Se a proposta for aceita, várias medidas serão tomadas para proteger áreas acima de 800 metros de altitude”, explica o biólogo Carlos Joly, que coordena o projeto. “Vamos incentivar o turismo de natureza na região, impedir o descarte de lixo e limitar a mineração, por exemplo.”

Entre as áreas a serem protegidas estão os campos de altitude, regiões elevadas com mais de 1600 metros de altura e que abrigam espécies de plantas e animais exclusivas da Mantiqueira. “Esses locais preciosos têm sido destruídos pela criação de gado, por incêndios e pela construção de condomínios de luxo. O tombamento poderia impedir isso”, esclarece o também biólogo André Freitas, da Universidade Estadual de Campinas e do Biota-Fapesp. “Isso é fundamental, pois a degradação desses habitats significa que estamos perdendo essas espécies para sempre.”

A borboleta 'Pampasatyrus reticulata' só existe nos campos de altitude. (foto: André Freitas)

A borboleta Pampasatyrus reticulata só existe nos campos de altitude. (foto: André Freitas)

A proteção da Serra da Mantiqueira é ainda mais importante se pensarmos que ela serve de lar para incontáveis espécies ainda desconhecidas. “Só de borboletas, foram encontradas cerca de 20 novas espécies nos últimos cinco anos por lá”, ressalta o biólogo.

Além disso, importantes populações de espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção vivem no local. “Animais como a onça-pintada, o lobo-guará e o papagaio-de-peito-roxo habitam a serra, assim como muitos anfíbios e plantas como as samambaias, bromélias e orquídeas. Precisamos proteger essa biodiversidade enquanto há tempo”, alerta André.

Matéria publicada em 25.07.2014

COMENTÁRIOS

  • CHC | Parque Nacional de Itatiaia

    […] Foi então que, há exatos 80 anos, uma grande área da Mata Atlântica foi escolhida para a criação do primeiro parque nacional do Brasil: o Parque Nacional de Itatiaia, localizado na parte sul da divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Hoje, ele protege um trecho importante do conjunto de montanhas conhecido como Serra da Mantiqueira. […]

    Publicado em 29 de Maio de 2018 Responder

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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