Pequena grande descoberta

Os primatas – grupo de mamíferos que inclui chimpanzés, lêmures e humanos – sempre estiveram na mira dos estudiosos. Eles são nossos parentes mais próximos no reino animal, e os paleontólogos há muito tempo buscavam explicar como eles surgiram.

Esbarravam, porém, em uma dificuldade: há poucos registros fósseis de primatas pré-históricos. Por isso, a comunidade científica comemorou bastante a descoberta recente, na China, do mais antigo fóssil de primata já registrado. Ele foi encontrado em rochas de aproximadamente 55 milhões de anos e recebeu o nome de Archicebus archilles.

Representação artística do <i>Archicebus achilles</i> em seu hábitat natural, em meio a árvores (Ilustração: Xijun Ni, IVPP, Chinese Academy of Sciences)

Representação artística do Archicebus achilles em seu hábitat natural, em meio a árvores (Ilustração: Xijun Ni, IVPP, Chinese Academy of Sciences)

Pequenino, o primata pré-histórico cabia na palma de uma mão e pesava apenas 30 gramas. Seu crânio media 2,5 centímetros – mais ou menos o tamanho da cabeça de uma escova de dentes. O dorso tinha 7,1 centímetros e a parte mais comprida do animal era a cauda, com 13 centímetros. Ele tinha o focinho bem curto e pernas e pés relativamente longos.

Além do tamanho diminuto, outra característica peculiar do Archicebus é a arcada dentária, que indica que o animal se alimentava de insetos. Seus olhos eram relativamente pequenos, o que sugere que a espécie tinha hábitos diurnos.

O fóssil estava quase completo cabe na palma de uma mão (Foto: Paul Tafforeau/ ESRF e Xijun Ni/ Chinese Academy of Sciences)

O fóssil estava quase completo cabe na palma de uma mão (Foto: Paul Tafforeau/ ESRF e Xijun Ni/ Chinese Academy of Sciences)

Curiosamente, o Archicebus apresenta características de antropoides (grupo que inclui macacos e humanos) e de társios (pequenos primatas com cauda longa e olhos esbugalhados). Por isso, o fóssil é um bom objeto para os cientistas que desejam estudar a história evolutiva dos primatas!

Matéria publicada em 19.06.2013

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Alexander Kellner

É paleontólogo e já esteve em expedições para algumas das áreas mais remotas do planeta, como Antártica e desertos no Irã e na China. Adora ler tudo o que encontra sobre dinossauros e outros fósseis.

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