Gigantes da arte

Difícil imaginar a aparência dos animais e plantas que viveram na Terra há 65 milhões de anos. Felizmente, temos uma ajudinha da paleoarte – o ramo da arte que se ocupa em, a partir de dados coletados sobre fósseis e outros indícios da vida pré-histórica, reconstituir espécies já extintas, em desenhos ou esculturas que nos dão uma ideia de como elas eram em vida.

Reconstituição do <i>Herrerasaurus ischigualastensis</i>, dinossauro carnívoro que viveu na Argentina há 231 milhões de anos, no período Triássico.

Reconstituição do Herrerasaurus ischigualastensis, dinossauro carnívoro que viveu na Argentina há 231 milhões de anos, no período Triássico. (foto: Museu Nacional / Divulgação)

Graças aos paleoartistas, mesmo as pessoas não-especializadas em paleontologia, como eu e você, conseguem ter uma ideia de como eram os dinossauros, pterossauros e outros bichos pré-históricos. Se você gosta do tema, vai adorar a exposição “Arte com Dinossauros”, em cartaz no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para Maurílio Oliveira, artista plástico do Museu Nacional e responsável pela mostra, a maior contribuição da paleoarte é fazer uma ponte entre pesquisadores e o público em geral. “Alguém que não seja especialista provavelmente teria dificuldades de decifrar ou entender um trabalho científico”, explica. “No entanto, vai poder se maravilhar com uma escultura ou uma ilustração em vida desses animais, sabendo um pouco mais da sua história e de como eram”.

Maurílio dispensa os recursos tecnológicos na hora de fazer sua arte: prefere desenhar a mão mesmo, com papel, lápis e tinta.

Maurílio dispensa os recursos tecnológicos na hora de fazer sua arte: prefere desenhar a mão mesmo, com papel, lápis e tinta. (foto: Museu Nacional / Divulgação)

A paleoarte é uma parceria entre artistas e cientistas. Maurílio contou à CHC Online que, para executar esse trabalho, entrou em contato com diversos paleontólogos. “Eles me supriram de conhecimento científico e eu tentei compensá-los com a arte”, conta.

Ele começa suas obras a mão mesmo, desenhando no papel com lápis e tinta. Em seguida, monta as esculturas, feitas a partir de um material chamado espuma de poliuretano (também usado em pranchas de surfe), buscando respeitar o tamanho original dos animais.

Na exposição você vai poder conhecer um pouco mais do trabalho de Maurílio, que reconstitui principalmente espécies nativas do Brasil, como o Pycnonemosaurus nevesi, que viveu há 90 milhões de anos. “Muitas pessoas não sabem que havia dinossauros brasileiros! E eles eram tão fascinantes quanto os outros ao redor do mundo”, conta o artista.

<i>Pycnonemosaurus nevesi</i> foi um dinossauro carnívoro, que viveu no Brasil há 90 milhões de anos, no período Cretáceo.

Pycnonemosaurus nevesi foi um dinossauro carnívoro, que viveu no Brasil há 90 milhões de anos, no período Cretáceo. (foto: Museu Nacional / Divulgação)

Durante a visita, é possível contar com a ajuda de guias que tiram dúvidas e contam um pouquinho sobre cada espécie. Além disso, as esculturas ficam à disposição do público, que pode tocá-las – com cuidado, é claro! “Acho que isso cria uma proximidade com o visitante, que entra em contato direto com as artes”, afirma Maurílio. “Assim fica fácil se apaixonar!”

Exposição Arte Com Dinossauros
Em cartaz até julho
Museu Nacional/UFRJ
Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ
De terça a domingo, das10h às 17h
Segundas, das 12h às 17h
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Grátis para crianças até 5 anos e portadores de necessidades especiais

Matéria publicada em 27.04.2015

COMENTÁRIOS

  • Tauros

    Bem loco

    Publicado em 20 de agosto de 2020 Responder

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Valentina Leite

Sou apaixonada por cinema, sushi e praia. Adoro escrever, andar de bicicleta, cantar (no chuveiro) e conhecer pessoas novas! Quando pequena queria ser cientista, mas acabei escolhendo ser jornalista e agora escrevo sobre ciência.

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