De olho nos ninhos de harpias

Um equipamento que permite observar bem de perto a vida dos animais na floresta sem ter que interferir no comportamento deles. Com as armadilhas fotográficas não é necessário pegar o animal, apenas imagens ou vídeos são coletados. Superlegal, não é?

Este método é bastante eficiente, mesmo quando os registros precisam ser feitos em lugares muito altos ou escondidos. As espécies são registradas por meio da fotografia ou filmagens, aumentando a confiabilidade do registro. As fotos e imagens são capturadas de dia ou de noite, pois o equipamento pode ser programado para funcionar 24 horas.

Um escalador se movimenta em uma árvore com um ninho de harpia para instalar uma armadilha fotográfica. (foto: Francisca Helena Aguiar-Silva)

Um escalador se movimenta em uma árvore com um ninho de harpia para instalar uma armadilha fotográfica. (foto: Francisca Helena Aguiar-Silva)

 

A armadilha

A armadilha fotográfica, na verdade, é uma caixa, que contém um sistema de sensores que capturam o movimento e o calor para fotografar e armazenar imagens em um cartão de memória.

O primeiro registro desse tipo de técnica de que se tem notícia aconteceu no início do século 19, quando um fotógrafo curioso chamado George Shiras, lá pelos anos de 1890, instalou fios camuflados e uma lâmpada de flash, acoplada a câmera fotográfica da época, para capturar as fotos de animais durante a noite. O próprio animal disparava a câmera e o flash quando esbarrava nos fios estendidos na floresta; por isso, o equipamento ganhou o nome de armadilha fotográfica. O uso dessas armadilhas por cientistas começou em 1920, por Frank Chapman na ilha de Barro Colorado, no Panamá, quando tentava registrar mamíferos terrestres raros de serem observados.

Tamanduá-mirim flagrado por uma armadilha fotográfica comendo formigas em um ninho de harpia. (foto: Aguiar-Silva 2016)

Tamanduá-mirim flagrado por uma armadilha fotográfica comendo formigas em um ninho de harpia. (foto: Aguiar-Silva 2016)

 

No alto dos ninhos

Registrar o que acontece em um ninho de harpia não é tarefa fácil. Este gavião constrói seus ninhos nas árvores que chamamos de emergentes (aquelas que crescem mais de 40 metros de altura na Amazônia). Eles ficam localizados no ramo principal da árvore, em média a 32 metros de altura. Acessar estes ninhos para instalar armadilhas fotográficas é um dos maiores desafios no estudo da harpia. Para isso, precisamos de um especialista em escalar árvores com equipamentos de segurança e habilidades para se movimentar na árvore e instalar o equipamento.

Subir na árvore para instalar a armadilha fotográfica é tarefa para profissionais, pois os ninhos de harpia ficam em média a 32 metros de altura. (foto: Francisca Helena Aguiar-Silva)

Subir na árvore para instalar a armadilha fotográfica é tarefa para profissionais, pois os ninhos de harpia ficam em média a 32 metros de altura. (foto: Francisca Helena Aguiar-Silva)

De 2012 a 2016, as armadilhas fotográficas funcionaram em 10 ninhos de harpia, capturando imagens do que acontecia no ninho. A análise dos dados coletados com esta técnica forneceu informações valiosas sobre como a espécie se reproduz, constrói seus ninhos e cuida dos filhotes até eles poderem voar sozinhos e irem embora. As armadilhas fotográficas estavam equipadas com um detector de movimento para registrar continuamente a atividade da harpia no ninho, inclusive no período noturno.

Urubu-rei comendo restos de uma preguiça trazida pela harpia para o ninho para alimentar seu filhote. (foto: Aguiar-Silva 2016)

Urubu-rei comendo restos de uma preguiça trazida pela harpia para o ninho para alimentar seu filhote. (foto: Aguiar-Silva 2016)

Além do comportamento da harpia no ninho, durante as primeiras análises, 21 espécies de aves e mamíferos foram fotografadas quando pousavam ou subiam no ninho da ave. Entre as espécies registradas, podemos destacar o tamanduá-mirim, a irara, o macaco-prego, outros gaviões e tucanos. Algumas destas espécies servem também de alimento para a harpia, mas somente o macaco-prego virou refeição quando passou em um dos ninhos da harpia, e foi registrado em fotos pela armadilha fotográfica.

Macaco-prego buscando alimento no ninho da harpia. Mas foi ele que acabou virando refeição! (foto: Aguiar-Silva 2016)

Macaco-prego buscando alimento no ninho da harpia. Mas foi ele que acabou virando refeição! (foto: Aguiar-Silva 2016)

 

24 horas em foco

Essas câmeras funcionaram durante 24 horas por dia e não perturbaram a reprodução e criação dos filhotes nos ninhos de harpias estudados. Com o uso dessa técnica, os pesquisadores puderam obter informações sobre o comportamento da harpia para observar o que acontece no entorno dos ninhos e identificar ameaças à sua reprodução. Assim, eles podem sugerir ações para preservar esses gaviões.

 

Matéria publicada em 19.06.2017

COMENTÁRIOS

  • Catarina Laurenti

    Nossa que interessante, eles fazem armadilhas!!

    Publicado em 13 de junho de 2020 Responder

  • Flávio Carvalho Bessa de Castro

    OI,eu sou Flávio,tenho 10 anos, e eu gosto muito de cuidar e observar animais eu gostei das armadilhas porque nós observamos a vida dos animais se eles estão correndo perigo, olhar as especies de animais que tem na floresta e eu gostei mas do urubu rei ele é muito bonito! E eu queria que vocês trouxessem mais fotos dos passarinhos.

    Meu nome é Flavio Carvalho Bessa de Castro estudo na Escola Cecilia Meireles /Xique-Xique Bahia.

    Publicado em 16 de junho de 2020 Responder

    • mariana Nery

      boa ideia pode trazer fotos

      Publicado em 2 de julho de 2020 Responder

  • GIOVANNA MIDORI OLIVEIRA

    ACHEI INTERESANTE VOU MANDAR PRA MINHA FILHA

    Publicado em 29 de junho de 2020 Responder

    • mariana Nery

      voce é mãe 🤷🏿‍♀️

      Publicado em 2 de julho de 2020 Responder

  • mariana Nery

    achei TOP 👌🏿
    E voceis ach👌🏿aram TOP turma da chc respondam 🙏🏿

    Publicado em 2 de julho de 2020 Responder

  • mariana Nery

    o turma da chc esse conteudo não faz susseso 👎🏿 mais pode melhora né 👍🏿

    Publicado em 2 de julho de 2020 Responder

  • CAMILA LIMA ALENCAR

    ola chc estou gostando muito das materias sou nova aqui

    Publicado em 7 de julho de 2020 Responder

  • luana

    Amei a notícia sobre os ninhos de harpia.

    Publicado em 8 de julho de 2020 Responder

  • Emanuelly Cristina

    Oi chc eu achei essa matéria ótima parabéns para a equipe

    Publicado em 10 de julho de 2020 Responder

  • Ronaldo Rocha Carvalho Neto

    OI eu pensei que o macaco-prego foi pega a comida dai ele virou comida da harpia,

    Publicado em 14 de julho de 2020 Responder

  • samira massabani jabur

    cara essa é o melhor texto cientifico que ja vi eu sou a samira eu amo texto cientifico um beijo para francisca Helena Aguiar-Silva

    Publicado em 21 de julho de 2020 Responder

  • Indala

    Eu achei essa reportagem interessante. Hárpia come macaco-prego?

    Publicado em 27 de julho de 2020 Responder

  • Heitor Galante

    E eu nem sabia que tamanduá mirim subia em arvores.Adoro harpias!!!!

    Publicado em 29 de julho de 2020 Responder

  • Natalie Schocken

    Adoramos a reportagem 👏🏻👏🏻Parabéns à essa equipe que se preocupa em trazer informações verdadeiras e de conteúdo!
    Obrigada

    Publicado em 29 de julho de 2020 Responder

  • LUÍSA BEATRIZ

    Olá, CHC, achei interessante sobre as armadilhas! assim, podemos ver os ninhos e filhotes sem preocupação!
    obrigada!

    Publicado em 13 de agosto de 2020 Responder

  • Camila

    Meu nome é Camila tenho 9 anos e gostos de obicerva as plantas

    Publicado em 17 de agosto de 2020 Responder

  • Pedro

    Olá, edição! Eu gostei muito da matéria que vocês fizeram, essa técnica é muito boa para preservar os animais e estudá los melhor, eu queria que vocês fizessem mais matérias como essa falando sobre a natureza e de como preservá la e, da vida marinha também.
    Obrigado por tudo, isso me ajudou muito. Tchau!
    Ass: Pedro

    Publicado em 18 de agosto de 2020 Responder

  • Sarah Maria

    UAU!!
    que interessante!
    essa matéria é muito legal!
    é muito divertido aprender com vocês!
    PARABÉNS!
    Abraços!

    Publicado em 28 de agosto de 2020 Responder

  • Clara

    Olá CHC!
    Adorei a matéria sobre os ninhos de harpias. Deve ter sido difícil fazer isso, mas, com certeza, valeu a pena.
    Adorei a parte do equipamento que grava diariamente e que não interfere no dia a dia da ave.
    Parabéns pela iniciativa e coragem.
    Obrigada por ler meu comentário.
    Abraços.

    Publicado em 7 de setembro de 2020 Responder

  • Arthur gabriel pinto da silva

    nem li so vi que e ruim

    Publicado em 14 de setembro de 2020 Responder

    • Arthur gabriel pinto da silva

      eu sou um idiota

      Publicado em 14 de setembro de 2020 Responder

  • vanessa

    Olá, CHC! achei a matéria muito interessante, sou professora de aula de reforço, meus alunos gostaram bastante da matéria. Gostariam se saber mais sobre a harpia. A forma como vocês encontrara de observar melhor a vida das aves foi muito legal e mais segura para ambos.

    Publicado em 14 de setembro de 2020 Responder

  • clarinha

    eu adoro as harpias chc me avisem se mandarem mas alguma coisa sobre animais

    Publicado em 16 de setembro de 2020 Responder

  • clarinha

    doro os animais obrigada chc

    Publicado em 16 de setembro de 2020 Responder

  • clarinha

    chc obrigada por tudo que vocês fizeram

    Publicado em 16 de setembro de 2020 Responder

  • clarinha

    obrigada chc por tudo que vocês fizeram

    Publicado em 16 de setembro de 2020 Responder

  • Rafael Salazar Sant’Anna

    Olá sou Rafael do 6ano e eu adorei essa reportagem!uma das revistas que eu mais gostei foi a que vocês falam sobre os cachorros terem sentimentos!falem também sobre as baleias azuis!

    Publicado em 22 de setembro de 2020 Responder

  • Heitor Moura de Campos Velho

    Eu gosto das Hístorias em quadrinhos!

    Publicado em 22 de setembro de 2020 Responder

  • Ana Luísa Fernandes

    Olá CHC!
    Como vai?
    Achei brilhante a ideia, envolvendo tecnologia nas pesquisas e disponibilização ao povo brasileiro, Conhecer a flora de seu país é essencial…
    Além do mais, que trabalho! Parabéns á todos os envolvidos para a formulação e publicação desta matéria, está incrível! Obrigada por trazer esta informação até nós, o trabalho de vocês é simplesmente maravilhoso.
    Abraços, Ana.

    Publicado em 28 de setembro de 2020 Responder

Envie um comentário

Francisca Helena Aguiar-Silva

CONTEÚDO RELACIONADO

Um mergulho com os peixes

Acompanhe o final da aventura de Rex, Diná e Zíper e suas descobertas no fundo do mar.

Rex, Diná e Zíper em…

Um lanchinho para os peixes. É correto alimentar esses animais na natureza?