De olho na Amazônia

O robô Chico Mendes em ação na Amazônia.

Ele tem uma tarefa muito importante: cuidar da floresta amazônica. Esse guardião é capaz de andar na água, na lama, na terra e na vegetação – e sem fazer barulho, para não incomodar nem os animais nem os moradores do lugar. Ele também é forte, agüenta até mordida de jacaré! E consegue obter dados importantes sobre a Amazônia, além de coletar amostras do local. Prepare-se para conhecer esse faz-tudo que é o robô ambiental híbrido Chico Mendes – uma tecnologia criada no Brasil.

Apelidado de Chiquinho, o robô foi inventado por Ney Robinson, engenheiro da Petrobras, para um programa da empresa chamado Piatam. Talvez você não saiba, mas, em plena floresta amazônica, a Petrobras encontrou poços de petróleo e depósitos de gás natural, que são importantes fontes de energia. O Piatam existe para ficar de olho nos possíveis danos que a retirada de petróleo e gás da Amazônia possa gerar ao meio ambiente. E o robô Chico Mendes foi criado para ser um dos seus mais atentos vigilantes!

Quem foi Chico Mendes?
Chico Mendes trabalhava extraindo látex, uma substância usada para fazer borracha, de um tipo de árvore chamado seringueira. Um dos grandes defensores da Floresta Amazônica, ele denunciou o desmatamento no norte do país e a violência dos fazendeiros contra os trabalhadores rurais. Depois de percorrer todo o Brasil pregando a paz, porém, acabou sendo morto em 1988.

Para você ter uma idéia de como o Chiquinho funciona, sua versão mais recente apresenta um braço mecânico que, com sensores, é capaz de obter dados importantes sobre a floresta, como a acidez e a quantidade de oxigênio presente na água dos rios. Ele também coleta pedras, terra, água e pequenos animais para pesquisas.

“Queremos saber como está a região hoje, com a mata ainda intocada, para, depois, analisarmos se houve mudanças com a construção de uma tubulação que irá levar gás natural até Manaus”, explica Ney Robinson. Caso os dados colhidos pelo robô indiquem alguma alteração que seja danosa ao meio ambiente, medidas adequadas serão tomadas.

Desafios

O pesquisador Ney Robinson, inventor do robô, apresenta sua criação em laboratório da Petrobras

Para cumprir sua função, no entanto, o Robô Chico Mendes precisa enfrentar muitos desafios. Para começar, seu lugar de trabalho é uma região de difícil acesso, devido às mudanças climáticas que ocorrem com as estações do ano. Além disso, as plantas lá existentes dificultam a passagem. Mas o robô ultrapassa todos esses obstáculos. O segredo do seu sucesso são as rodas que, em posição normal, o fazem funcionar como um carro e, se movidas para baixo, trabalham como bóias. Ele funciona com energia elétrica ou com baterias, que são recarregadas por meio do sol. Pode ser controlado à distância com um joystick ou usado como um veículo comum.

O robô Chico Mendes nasceu como um protótipo que media cerca de 50 centímetros de comprimento, mas sua versão mais recente tem 1,20 metro de largura por 2 metros de comprimento e há planos de se construir um modelo ainda maior, capaz de levar uma pessoa a bordo. Assim como o seu tamanho, a lista de funções do robô também não pára de aumentar, já que outros pesquisadores e as próprias pessoas que vivem na Amazônia estão sugerindo novas atribuições ao Chiquinho, como a coleta de lixo na encosta dos rios. O projeto, assim, continua em aberto. E você, tem alguma nova idéia para o Chico Mendes fazer?

Amazônia brasileira – o jogo!


O robô Chico Mendes virou tema de um jogo de tabuleiro. Chamado Amazônia Brasileira, ele tem sido distribuído entre as comunidades que vivem na floresta Amazônica. Mas você pode levá-lo para casa, mesmo sem viver nessa região. Para tanto, envie uma mensagem para [email protected] . Dois leitores serão sorteados e poderão saber mais sobre o robô e a Amazônia brincando. Participe!
Atualização: Já saíram os nomes dos leitores premiados! Os vencedores são José Hélio Zen Jr., de Campinas (SP) e Danilo Barreto Zeferino, de Senhor do Bonfim (BA).
 

Matéria publicada em 07.07.2010

COMENTÁRIOS

  • tia cláudia

    achei a matperia deliciosa pros meus aluninhos do 4º ano, mas senti falta de identificar o autor da matéria, para referir na atividade

    Publicado em 13 de outubro de 2021 Responder

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Mariana-Benjamim

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