Conversas do oceano

Maneiro, da hora, irado, prego, zoeira. Que gírias você costuma usar? Eu posso não saber quais são, e até ficar com cara de interrogação ao ouvir algumas, mas uma coisa posso afirmar: muito provavelmente você e seus amigos compartilham muito desse vocabulário, quer dizer, você e seus colegas da escola ou do bairro usam as mesmas palavras e expressões – isso é parte do que faz de vocês um grupo. Da mesma forma, os cachalotes de grupos diferentes também usam vocalizações próprias.

Cachalotes podem viver mais de 60 anos e, normalmente, se organizam em grupos de fêmeas jovens e aparentadas entre si. Enquanto isso, os machos ficam em águas da Antártica e do Ártico, alimentando-se das enormes lulas por lá encontradas. De vez em quando, eles vêm até as regiões tropicais para acasalar. (foto: Mauricio Cantor, Whitehead Lab, Dalhousie University, Canadá)

Cachalotes podem viver mais de 60 anos e, normalmente, se organizam em grupos de fêmeas jovens e aparentadas entre si. Enquanto isso, os machos ficam em águas da Antártica e do Ártico, alimentando-se das enormes lulas por lá encontradas. De vez em quando, eles vêm até as regiões tropicais para acasalar. (foto: Mauricio Cantor, Whitehead Lab, Dalhousie University, Canadá)

Uma equipe internacional de cientistas estudou a comunicação entre baleias desta espécie. Os pesquisadores analisaram gravações feitas ao longo de 18 anos nas águas do Pacífico Norte, próximo às ilhas Galápagos, no Equador, e viram que os cachalotes de diferentes grupos usam diferentes codas, unidades de linguagem que poderíamos comparar ao conjunto de gírias que cada grupo de humanos usa. Ou seja, para saber a que grupo um cachalote pertence, é preciso ouvir o que ele ‘fala’!

A maneira como cada cachalote se comunica tem a ver com características herdadas de seus pais, mas também com o que ele aprende no grupo em que vive. As codas são, para esses animais, uma maneira de reconhecer membros de seu grupo e trocar experiências com eles. Por isso, os pesquisadores acreditam que os cachalotes das Galápagos têm um repertório de vocalizações bem diferente dos que vivem nos Açores, em Portugal, por exemplo.

Um detalhe que chama atenção nessa estrutura social dos cachalotes é que as fêmeas cooperam muito entre si, cuidando umas das outras quando uma delas se fere e até atuando como babás dos filhotes enquanto as mães mergulham fundo para buscar alimentos. (foto: Gabriel Barathieu / Wikimedia Commons / <a href=http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>CC BY-SA 2.0</a>)

Um detalhe que chama atenção nessa estrutura social dos cachalotes é que as fêmeas cooperam muito entre si, cuidando umas das outras quando uma delas se fere e até atuando como babás dos filhotes enquanto as mães mergulham fundo para buscar alimentos. (foto: Gabriel Barathieu / Wikimedia Commons / CC BY-SA 2.0)

Tem mais: seguindo essa lógica, o estudo das codas gravadas em diferentes áreas, mesmo que próximas, podem revelar quantos clãs de cachalotes existem em determinada região e como eles interagem ente si.

Parece complexo, mas é exatamente como nós, humanos, agimos: falamos as gírias que nossos colegas de classe usam, e assim passamos a ser mais facilmente aceitos no grupo. Cachalotes e humanos têm muita coisa em comum!

Matéria publicada em 09.09.2015

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Como as Cachalotes são espertinhas!

    Publicado em 11 de maio de 2019 Responder

  • pedro rafael mateus

    Eu amo baleais elefantes e diplodocos

    Publicado em 24 de maio de 2021 Responder

  • pedro rafael mateus

    noooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooos

    Publicado em 24 de maio de 2021 Responder

  • Cauã brunello de marchi

    ñ gosto nem de relar em peixe imagina em baleias credo🤢

    Publicado em 8 de julho de 2021 Responder

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Salvatore Siciliano

Sou zoólogo e minha especialidade são os mamíferos aquáticos, como baleias e golfinhos. Adoro viajar pelo Brasil descobrindo detalhes interessantes sobre nossos bichos e nossa cultura!

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