Cuidado onde pisa

Você já deve ter visto a cena em desenhos animados ou histórias em quadrinhos: ao pisar numa areia movediça, a mocinha começa a afundar lentamente. Quanto mais ela se debate tentando sair da areia que cede, mais rapidamente afunda. A mocinha quase morre sufocada pela areia, mas é salva na última hora pelo herói, que lança uma corda e a puxa para fora. Mas, no mundo real, a areia movediça não é tão terrivelmente perigosa quanto as histórias fazem parecer.

A areia movediça é formada em regiões onde há um lençol d’água embaixo da areia. (foto: arbyreed / Flickr / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/deed.pt> CC BY-NC-SA 2.0</a>)

A areia movediça é formada em regiões onde há um lençol d’água embaixo da areia. (foto: arbyreed / Flickr / CC BY-NC-SA 2.0)

Uma poça de areia movediça pode se formar numa região em que há um lençol de água debaixo da areia. Sem a água por baixo, a areia pode suportar grandes pesos, pois, quando pisamos nela, cada grão distribui o peso que recebe pelos grãos que estão abaixo dele e assim por diante.

No entanto, se a areia debaixo da superfície está encharcada de água, em algum momento essas forças não serão sustentadas por outros grãos mais abaixo. Isso acontece porque os grãos de areia não estão repousando sobre outros grãos, mas estão diluídos em água, formando uma espécie de lama. Algo muito parecido acontece com a areia da praia que fica perto da água, onde realmente o pé da gente afunda com facilidade.

Pisar na areia movediça faz com que qualquer movimento fique muito mais difícil. Tente mover o pé e será criado uma espécie de vácuo que parecerá sugar seu calçado para dentro da lama. Eu mesmo já tive um tênis sugado enquanto andava num terreno lamacento e sei bem como é. Para resgatá-lo, foi preciso enfiar o braço lá no fundo da areia e resgatar o tênis, puxando-o lentamente para fora.

Diluídos em água, os grãos da areia movediça formam uma espécie de lama parecida com a areia da praia que fica perto da água. (foto: Dirk Kichner / Flickr / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/deed.pt>CC BY-NC-SA 2.0</a>)

Diluídos em água, os grãos da areia movediça formam uma espécie de lama parecida com a areia da praia que fica perto da água. (foto: Dirk Kichner / Flickr / CC BY-NC-SA 2.0)

Isso é bem nojento, mas não é tão perigoso quanto parece. Pense bem: o ser humano boia bem em água. No caso da areia movediça, a água misturada com a areia é ainda mais densa que água sozinha, de modo que fica ainda mais fácil boiar. Ou seja, seria muito difícil afundar de verdade numa poça de areia movediça – mas não impossível.

O perigo real está em pisar na areia movediça carregando peso, como uma mochila, por exemplo. Nesse caso, o melhor a fazer é se soltar rapidamente da mochila e então sair da areia movediça e depois puxar a mochila para fora.

Teoricamente, existe a possibilidade de ocorrer na natureza uma areia movediça de outro tipo, bem mais perigoso, conhecido como areia movediça seca. Ela ocorreria após o depósito de areia fina pelo vento, camada após camada, deixando espaços com bastante ar entre os grãos. Neste caso, como num castelo de cartas, os grãos estariam equilibrados de forma precária e qualquer peso feito sobre a superfície da areia romperia o equilíbrio e não seria sustentado pelos grãos.

Caso você pisasse nesse tipo de areia, a estrutura seria rompida rapidamente, lançando o ar e os grãos para cima. Ao afundar, a areia lançada cairia sobre você, que seria soterrado. Embora a areia movediça seca nunca tenha sido observada na natureza, há histórias de desaparecimento de pessoas, veículos e caravanas inteiras nas areias dos desertos. Será que o mito tem uma origem real?

Matéria publicada em 18.07.2014

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Beto Pimentel

O autor da coluna A aventura da física é apaixonado por essa ciência desde garoto. Hoje, curte também dar aulas e fazer atividades criativas em contato com a natureza e com as outras pessoas.

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