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Ciência Hoje das Crianças


Conteúdo do Link: http://chc.org.br/cemiterio-de-navios/

Cemitério de navios

Mistério no Maranhão: triângulo das bermudas no Brasil?

Parques do Brasil - 21-03-2017 Meio Ambiente Imprimir Pdf

Desde a chegada dos portugueses no Brasil, com as grandes navegações, para conquista de novos territórios, inúmeras embarcações desapareceram misteriosamente ao navegarem nas proximidades do litoral do estado do Maranhão. O mistério permaneceu por muitos anos, já que não havia sobreviventes para contar que fim tiveram aquelas embarcações. Das antigas caravelas portuguesas a navios cargueiros e transatlânticos, mais de duzentas embarcações sumiram ali, levando a região a ser chamada de Triângulo das Bermudas brasileiro, em referência ao trecho do oceano Atlântico também famoso pelo desaparecimento de barcos e aviões.

O último navio a naufragar no parcel de Manuel Luís foi o petroleiro Ana Cristina, que afundou em 1984. Embora ainda bem conservada, a carcaça do navio já se encontra tomada por algas, esponjas e peixes. (foto: Marcus Davis)

O último navio a naufragar no parcel de Manuel Luís foi o petroleiro Ana Cristina, que afundou em 1984. Embora ainda bem conservada, a carcaça do navio já se encontra tomada por algas, esponjas e peixes. (foto: Marcus Davis)

Com o tempo, descobriu-se que havia naquela parte do litoral uma estranha formação rochosa bem abaixo da superfície. Associada aos fortes ventos e correntes marinhas da região, esta era uma armadilha perfeita para os marinheiros desavisados. Hoje, além de ser um dos maiores cemitérios de navios do mundo, o local abriga também o Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luís.

Os navegadores chamam de “parcel” os bancos de areia ou rochedos próximos à superfície do mar. O parcel de Manuel Luís – batizado em homenagem a um antigo pescador que o descobriu – é uma formação rochosa natural, sobre a qual crescem corais e algas calcárias. O acúmulo desses organismos mortos ao longo de milhares de anos levou a formação de torres maciças (“cabeços”), cujas pontas podem chegar até a superfície, constituindo um enorme perigo aos navegantes desavisados.

As formações rochosas do parcel, também chamadas de “cabeços”, abrigam enorme diversidade de organismos, como algas, corais e peixes, como esses peixes-cirurgiões ((i)Acanthurus chirurgus(/i)). (foto: Marcus Davis)

As formações rochosas do parcel, também chamadas de “cabeços”, abrigam enorme diversidade de organismos, como algas, corais e peixes, como esses peixes-cirurgiões ((i)Acanthurus chirurgus(/i)). (foto: Marcus Davis)

Mas o que tudo isso tem a ver com um parque para preservação ambiental? É que o parcel de Manuel Luís tem uma enorme importância para a biodiversidade marinha. Ele constitui o maior banco de corais da América do Sul e serve como ligação para a fauna marinha entre o litoral brasileiro e as ilhas do Caribe. Em meio às suas formações rochosas e os restos das embarcações afundadas vivem cerca de 140 espécies de peixes. Entre eles, estão peixes-papagaios, peixes-morcegos, garoupas, barracudas e cirurgiões. Entre os maiores e mais ameaçados habitantes do local estão meros e tubarões-dos-recifes.

O mero ((i)Epinephelus itajara(/i)) é um dos maiores peixes encontrados no parcel de Manuel Luís. Ele pode chegar a mais de 2 metros e quase meia tonelada, mas infelizmente está criticamente ameaçado de extinção devido à pesca predatória. (foto: Tom/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

O mero ((i)Epinephelus itajara(/i)) é um dos maiores peixes encontrados no parcel de Manuel Luís. Ele pode chegar a mais de 2 metros e quase meia tonelada, mas infelizmente está criticamente ameaçado de extinção devido à pesca predatória. (foto: Tom/ Flickr – CC BY-NC 2.0)

Além dos peixes, há também uma enorme diversidade de invertebrados. São cerca de 15 espécies de corais, sendo algumas exclusivas do litoral brasileiro e uma delas, o coral-de-fogo Millepora laboreli, endêmica do parcel de Manuel Luís. Completando a rica diversidade local, há ainda muitos moluscos, esponjas, crustáceos e algas.

O parcel de Manuel Luís atua como importante área de reprodução e berçário para inúmeros animais marinhos, como o tubarão-dos-recifes ((i)Carcharinus perezi(/i)), também conhecido como tubarão-bico-fino. (foto: Jack/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

O parcel de Manuel Luís atua como importante área de reprodução e berçário para inúmeros animais marinhos, como o tubarão-dos-recifes ((i)Carcharinus perezi(/i)), também conhecido como tubarão-bico-fino. (foto: Jack/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)

Atualmente a localização do parcel de Manuel Luís encontra-se bem informada nas cartas náuticas – o equivalente marítimo dos mapas terrestres – e nenhum naufrágio é registrado na região há mais de 30 anos. Uma ótima notícia para os navegadores e também para as criaturas marinhas, que podem viver tranquilas no mais antigo parque estadual marinho do Brasil.

Vinícius São Pedro, Laboratório de Ecologia Sensorial, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Comentários

Observação: Os comentários publicados abaixo foram enviados por nossos leitores e não necessariamente representam a opinião da Ciência Hoje das Crianças.

  1. lavinya maria teles ribeiro disse:

    Muito interesante mas ja vi coisa melhor

    • Eloá Ayumi Perez Funo disse:

      MUITO MANEIRO…………………………..AMEI CONHECER A REVISTINHA E AS NOVIDADES DELA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
      NÃO SABIA QUE EXISTIA ESSAS MARAVILHAS NO MAR.
      MUITO INTERESSANTE.NUNCA VI COISA PARECIDA.
      AMO CIÊNCIA HOJE.
      TENHO 9 ANOS
      PARA CIÊNCIA HOJE
      BEIJOS E ABRAÇOS

  2. Anna Elise disse:

    QUE MEDO !!!!!!!!!!!!!!!!!! Ainda bem que eu não uma navegadora!

  3. Julie Carolyne Santos disse:

    eu tambem sou apaixonada por animais

  4. Thayla Cristina dos santos Lima disse:

    Achei muito fantástico gosto muito da revista ciência hoje ja li outros textos fantástico recomendo muito maravilhoso

  5. Thayla Cristina dos santos disse:

    Achei muito fantástico gosto muito da revista ciência hoje ja li outros textos fantástico recomendo muito


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