O alemão que desbravou o Brasil

Você adora conhecer bichos e plantas exóticos? Gosta de viajar para lugares novos? Curte ver como as pessoas vivem das mais variadas formas? Pois foi essa curiosidade pelo diferente que moveu o ser humano ao longo da história e permitiu que ele descobrisse o que havia além de sua cidade, de seu país e até mesmo do seu continente. Foi também o que trouxe o alemão Georg Heinrich von Langsdorff ao Brasil.

Destemido, corajoso e com o desejo de aprender mais sobre o desconhecido, Langsdorff comandou uma grande expedição, que teve início em 1821, em nosso país. Médico de formação, esse alemão também era o que podemos chamar de naturalista. Na época em que ele viveu, entre 1774 e 1852, esse ofício era parecido com o que nós entendemos hoje por cientista ou pesquisador.

No Brasil, porém, Langsdorff não se contentou em ficar no litoral, onde os portugueses já haviam se fixado desde o descobrimento do país, em 1500. Ele queria ir além: conhecer o interior do Brasil, os índios, as espécies e especiarias nunca antes vistas. Para você ter uma ideia, o naturalista pretendia chegar até a Amazônia. A aventura não seria fácil, mas ele estava bem preparado: comandava um barco que levava um botânico, um zoólogo, um astrônomo, dois guias, três artistas que registravam e catalogavam tudo o que viam, além de empregados, caçadores e um piloto experiente.

O alemão Georg Langsdorff viajou pelo interior do Brasil entre 1821 e 1829.

Mas por que Langsdorff escolheu logo o Brasil, entre tantos outros países distantes do seu para desvendar? Acontece que o naturalista já havia participado de outra expedição, uma viagem de volta ao mundo, iniciada em 1802. Nessa aventura, ele conheceu Florianópolis, uma ilha de Santa Catarina, ao sul do Brasil. Depois disso, foi morar na Rússia. Lá, foi nomeado para a função de cônsul-geral e enviado ao Rio de Janeiro em 1813. Com isso, Langsdorff estava de volta às nossas terras e, dessa vez, para ficar! Em 1821, ele começaria a viagem, partindo do Rio de Janeiro até Minas Gerais e, de lá, seguindo para São Paulo, com parada final em Belém do Pará.

Registros e dificuldades da viagem
Na época, não havia câmeras fotográficas nem filmadoras. Apesar disso, registros da viagem não faltam. Em expedições como essa, exemplares da flora e da fauna eram empalhados para poderem ser guardados e artistas eram contratados para desenhar as paisagens e populações nativas, bichos e plantas. Com Langsdorff, por exemplo, viajaram os artistas Johann Moritz Rugendas, Aimé-Adrien Taunay e Hercules Florence.

Índios visitam os artistas europeus na casa onde eles estavam hospedados (imagem: Adrien-Aimée Taunay, dezembro de 1827).

No longo percurso feito por rios, os viajantes se depararam com correntezas assustadoras e cachoeiras. Foi na travessia do rio Guaporé, que banha os estados de Mato Grosso e Rondônia, por exemplo, que a equipe chorou a perda do desenhista Aimé-Adrien Taunay, que não conseguiu superar a força das águas e se afogou. Muitas vezes a tripulação também teve que descer do barco e empurrá-lo entre as pedras onde era impossível navegar. Isso sem falar da dificuldade de carregar as obras dos artistas, os animais empalhados e as espécies botânicas, além dos problemas enfrentados quando a expedição chegou ao norte do país.

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Ouça trechos do diário de viagem de Langsdorff (narração: Fred Furtado).

Quase toda a tripulação sofreu com as doenças tropicais e com o calor insuportável, sendo que muitos acabaram morrendo. A esposa de Langsdorff chegou a acompanhar a expedição, era a única mulher do barco, mas engravidou e precisou retornar ao Rio de Janeiro para ter seu bebê. Além disso, Langsdorff contraiu uma doença da qual nunca se curaria completamente. Hoje, muitos estudiosos suspeitam de que tenha sido malária.

Veja gravuras feitas durante a expedição ao interior do Brasil.

Todo este esforço, no entanto, valeu a pena. Quinze em cada 100 espécies da flora brasileira foram determinadas a partir do acervo desta viagem, que terminou em 1829. Ao retornar à Europa em 1830, onde permaneceu até morrer em 29 de junho de 1852, Langsdorff talvez não pudesse imaginar, mas contribuiu para que a gente pudesse conhecer, hoje, um pouquinho do Brasil de antigamente!

O segredo por trás da perfeição
Após a viagem que fez com Langsdorff, Hercules Florence voltou ao Rio de Janeiro, onde se casou e formou família. Durante a expedição, além de pinturas e desenhos, Florence também testou métodos de fixação da imagem por meio de produtos químicos. Essa inovação, mais tarde, daria origem à técnica da câmara escura, que evoluiu até chegar à fotografia como conhecemos hoje. O artista usava os métodos de fixação para fazer a primeira versão dos seus desenhos. Por isso, eles eram mais detalhados e parecidos com a realidade.

Bruna Ventura
Instituto Ciência Hoje/RJ

Matéria publicada em 08.09.2010

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