A incrível história do peixe-voador

Passarinhos voam, morcegos voam, baratas voam. E peixes? Também, se forem exemplares das espécies conhecidas como peixes-voadores, que apresentam nadadeiras peitorais alongadas usadas para planar. A descoberta, no sul da China, de uma nova espécie fóssil mostra que esses animais existem há pelo menos 230 milhões de anos.

peixe-voador pré-histórico

O Potanichthys xingyiensis tinha pouco mais de 15 centímetros, cabeça grande e 16 pequenos dentes em forma de cone. Uma característica curiosa é que ele quase não tinha escamas (Ilustração: Xu et al/ Proc. R. Soc. B)

Os peixes-voadores podem ser divididos em dois grupos: Exocoetidae e Thoracopteridae. Apesar de terem em comum o apelido, os dois não têm parentesco próximo. Apenas o primeiro grupo possui representantes atuais – cerca de 50 espécies que habitam todos os oceanos. Além desses, pesquisadores também já encontraram cerca de uma dezena de espécies fósseis dos Exocoetidae com até 40 milhões de anos.

Já o grupo dos Thoracopteridae é bem mais antigo, mas completamente extinto. Seus representantes foram descobertos em fósseis da Áustria e da Itália e, agora, da China. A espécie recém-descoberta, que recebeu o nome de Potanichthys xingyiensis, foi descrita com base em dois exemplares – os mais antigos peixes-voadores já encontrados.

peixe-voador

Os peixes-voadores atuais são encontrados em águas de temperatura relativamente quente – acima dos 20 graus Celsius. Por isso, os pesquisadores acreditam que, nos locais onde foram encontrados peixes-voadores fósseis, os mares pré-históricos tinham temperaturas semelhantes (Foto: U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration)

Ao contrário do que se possa pensar, os peixes-nadadores não possuem asas como as aves. O que lhes permite voar são nadadeiras peitorais maiores que as dos outros peixes, com base rígida e ramificações que aumentam sua área de contato com o ar. Seu voo é também diferente daquele observado nas aves: eles não batem as nadadeiras, mas planam com elas abertas, após tomar impulso pelos batimentos de sua cauda grande e assimétrica. Cada voo alcança, em média, 50 metros – mas já foram registrados percursos de quase 400 metros.

Os cientistas acreditam que, ao longo da evolução, os peixes-voadores desenvolveram essa capacidade para fugir de predadores. Atualmente, as principais ameaças aos peixes-voadores são os golfinhos, mas as espécies pré-históricas tinham que escapar de répteis marinhos e peixes maiores. Era melhor fugir voando!

Confira, no vídeo, o voo de um peixe-voador:

Matéria publicada em 27.11.2012

COMENTÁRIOS

  • Elysa Rebeca oliveira melo

    Muito enpresionante

    Publicado em 20 de outubro de 2020 Responder

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Alexander Kellner

É paleontólogo e já esteve em expedições para algumas das áreas mais remotas do planeta, como Antártica e desertos no Irã e na China. Adora ler tudo o que encontra sobre dinossauros e outros fósseis.

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