Você já viu uma lula gigante?

A lula gigante é considerada o maior invertebrado do mundo. O exemplar capturado no oceano Pacífico deve ter mais de oito metros de comprimento (fotos: reprodução/ Science )

(…) Conseil apontou a janela e exclamou: “Vejam!”

Olhamos no mesmo instante e, para nosso horror, avistamos uma lula enorme. Seu corpo media uns dez metros de comprimento, e entre os tentáculos, que eram ainda mais longos, abria-se um bico sinistro.

“E aí vêm outras seis!” (…)

De repente, uma delas capturou Ned e o carregou na direção de seu bico voraz. O canadense estava prestes a ser despedaçado, quando Nemo acertou uma machadada bem no meio das mandíbulas do monstro, que tombou sem vida e afundou no mar. A batalha tinha chegado ao fim. (…)

Monstros ameaçadores. Assim são retratadas as lulas gigantes em livros e filmes, como bem mostra esse trecho de 20.000 léguas submarinas , obra escrita por Júlio Verne no século 19.

O esquema mostra como foi possível fotografar a lula gigante no Japão, No detalhe, está a câmera.

Esses animais que vivem nas profundezas do mar e são considerados os maiores invertebrados do planeta. No entanto, são pouco conhecidos: as informações que os cientistas têm a seu respeito foram obtidas a partir do estudo de bichos mortos que chegaram à costa ou que foram capturados em redes de pesca. Mas, agora, pesquisadores japoneses acabam de anunciar que fotografaram, pela primeira vez, lulas gigantes vivas em seu hábitat no fundo do oceano.

Mais de 550 imagens foram feitas por uma câmera no dia 30 de setembro de 2004, a partir das 9h15 da manhã. Elas mostram uma lula gigante que atacou uma isca a 900 metros de profundidade, na região das ilhas Ogasawara no Pacífico Norte, e… ficou presa em um anzol, perdendo até um dos seus tentáculos.

A isca e o anzol faziam parte do equipamento usado para a pesquisa. Ele consistia em uma linha com mil metros de comprimento, colocada abaixo de três grandes bóias, à qual foi presa uma câmera, além de uma linha de pesca de três metros, em que foram fixados anzóis com iscas. Entre elas, uma lula da espécie Todarodes pacificus , além de uma bolsa cheia de camarões amassados para dar aquele cheirinho gostoso de comida na praça (veja o desenho acima).

A lula gigante não pôde mesmo resistir a tantos atrativos, não é? Atacou as iscas, mas, infelizmente, ficou presa em um dos anzóis – o que não estava nos planos dos cientistas, claro – e levou quatro horas tentando se libertar, até que um dos seus tentáculos se rompeu. A lula foi embora – ele ficou. Foi nesse intervalo de tempo que as imagens foram feitas.

O tentáculo de cerca de 5,5 metros de comprimento, porém, foi recolhido pelos cientistas e os ajudou a identificar que a lula pertencia ao gênero Architeuthis e também a definir as suas dimensões: ela deve ter mais de oito metros de comprimento. Uma das características mais marcantes das lulas gigantes é o par de tentáculos extremamente longos que elas possuem, além de oito braços mais curtos. Para você ter uma idéia, nas lulas gigantes encontradas até hoje, esses tentáculos representavam, em geral, dois terços do tamanho total do bicho: a maior lula gigante já encontrada, por exemplo, tinha 18 metros de comprimento, sendo que os tentáculos mediam 12 metros…

Os cientistas recolheram e analisaram o tentáculo de 5,5 metros que a lula perdeu após se prender em um dos anzóis

Se o tentáculo resgatado trouxe tantas informações, as imagens feitas pela câmera no fundo do mar, por sua vez, não ficaram atrás. Elas revelam que a lula gigante pode ser um predador muito mais ativo do que se pensava. Isso porque, aparentemente, esses bichos usam seus tentáculos para golpear e estrangular as suas presas. Parece até que, uma vez que as captura, a lula gigante enrola seus tentáculos para matá-las como fazem as jibóias logo depois de ferir os animais dos quais se alimenta.

Quem diria que, no fundo do mar, a gente iria encontrar uma semelhança entre uma lula e uma serpente, não é mesmo?

Matéria publicada em 11.10.2005

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Eu sabia que existia lula gigante, porém, não sabia como comprovaram isto.

    Publicado em 18 de setembro de 2018 Responder

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Mara Figueira

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