Viver e trabalhar no gelo

Talvez você já tenha sonhado em morar em uma casa construída na copa de uma árvore. Mas já se imaginou vivendo e trabalhando sobre uma camada de gelo flutuante em plena Antártica? Pois essa é a realidade dos cientistas que atuam na Halley V, uma estação de pesquisa britânica localizada no continente gelado!

A estação britânica de pesquisa Halley V vai ser desativada, pois o gelo em que ela está apoiada corre o risco de quebrar na próxima década (fotos: British Antarctic Survey).

Entre 2008 e 2009, porém, esses pesquisadores estarão de mudança. É que o gelo que serve de base à Halley V corre o risco de quebrar na próxima década. Por isso, uma nova estação precisará ser construída na Antártica. Ela se chamará, claro, Halley VI, para manter a homenagem ao astrônomo inglês Edmond Halley (veja quadro ao lado), que vem desde a primeira base britânica construída na região de Coats Land. Mas se você quiser saber qual será a ’cara’ da nova estação… Bem, isso só descobriremos em 2005!

2005? Pois é. Apenas em setembro desse ano será anunciado o vencedor de um concurso muito especial: o que irá escolher o melhor projeto para a nova estação britânica na Antártica! Aberto a profissionais de todo o mundo, ele já está a pleno vapor. Tanto é que todas as equipes interessadas em participar da competição já declararam isso oficialmente e, agora, seis foram convidadas a apresentar suas propostas.


Edmond Halley
Já ouviu falar no cometa Halley? Se não, converse com seus pais ou avós! Esse cometa é visto a cada 76 anos e a sua passagem mais recente pelo nosso planeta ocorreu em 1986. Ele é chamado de Halley por conta do astrônomo Edmond Halley, o primeiro a prever que os cometas periodicamente voltam às imediações da Terra. Nascido em Haggerston, Inglaterra, em 8 de novembro de 1656, ele se dedicou desde cedo ao estudo da matemática e da física. Morreu em Greenwich, perto de Londres, em 14 de janeiro de 1742.

Construir a nova estação de pesquisa será um grande desafio! Afinal, ela será erguida sobre uma camada de gelo flutuante com apenas 150 metros de espessura, ficará localizada em um lugar onde a temperatura média no verão é de cinco graus negativos — despencando para – 30º C no inverno! — e onde a neve cai durante quase metade do ano!

A Halley V na imensidão branca da Antártica. Ali, a neve cai durante quase metade do ano e a temperatura chega a -30 graus no inverno!

Assim, a nova estação precisará ser capaz de resistir a temperaturas muito baixas e também ser auto-suficiente, já que a camada de gelo onde ficará situada é acessível apenas uma ou duas vezes ao ano, durante o verão, e somente por navio, que leva até lá comida, combustível, remédios etc. Além disso, a Halley VI terá de provocar o menor impacto ambiental possível na Antártica e ser um lugar estimulante para se viver e trabalhar.

Mas por que construir uma estação de pesquisa em um lugar tão inacessível, inóspito e, de certa forma, até perigoso? Porque a ciência faz tudo isso valer a pena! Foi na Halley V, por exemplo, que foram feitas as primeiras pesquisas que levaram à descoberta do buraco na camada de ozônio (veja boxe ao final do texto)! Além disso, estudos sobre poluição atmosférica, tempestades solares, aumento do nível dos oceanos e mudanças climáticas também são realizados na estação.

A Antártica é um verdadeiro laboratório a céu aberto que ajuda os cientistas a entender o clima do nosso planeta.

Por volta de 2010, a Halley V será retirada da Antártica, mas sua substituta, que entra em funcionamento entre 2008 e 2009, com certeza terá condições de trazer, como sua antecessora, novidades sobre esses temas, tão importantes para o futuro do nosso planeta!

Buraco na camada de ozônio
O ozônio se espalha pela atmosfera, a camada invisível de gases que existe ao redor do nosso planeta. Ele é encontrado, em grande parte, em uma faixa que fica entre 30 e 35 quilômetros de altitude, região que ficou conhecida como “camada de ozônio”.
Há alguns anos, cientistas notaram que a quantidade de ozônio estava diminuindo na atmosfera. Muita gente passou a dizer que havia um buraco na camada de ozônio. Mas, na verdade, foi a camada formada por esse gás que ficou mais fina. A situação é mais grave no pólo sul: na primavera, quase metade do ozônio desaparece na Antártica.
Esse fenômeno é preocupante, pois a camada de ozônio atua como um escudo, protegendo os seres vivos da radiação ultravioleta que vem do Sol. Mas o que está fazendo o ozônio desaparecer? Hoje em dia, a atmosfera recebe compostos chamados freons, gases que não existiam antes na natureza: foram fabricados pelo homem para serem usados nos aerossóis (sprays), aparelhos de ar condicionado, em algumas embalagens etc. Esses gases não prejudicam os seres vivos, mas, quando são liberados para os ares, podem soltar uma substância — o cloro — que destrói o ozônio.

Matéria publicada em 09.09.2004

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Que curiosidade interessante!

    Publicado em 14 de abril de 2019 Responder

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Mara Figueira

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