Um século de grandes poetas

No século 20, o Brasil conheceu os melhores poetas de sua história. Tão bons eles foram (e são!) que a nossa poesia pode ser comparada à poesia dos países mais famosos nessa arte! Largue tudo o que você está fazendo e venha conhecer um pouco do mundo da poesia. A partir de agora, só vai precisar de imaginação.

Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade

Veja essa passagem do poema ’Balada do Esplanada’, em que Oswald de Andrade escreveu que a poesia está em toda a parte:

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador

As últimas quatro palavras desse trecho rimam entre si: dor rima com flor que rima com beija-flor que rima com elevador. Os poetas usam a rima porque ela ajuda a dar um ritmo ao poema; porque ela mantém unidas, pela semelhança do som, palavras que designam objetos diferentes entre si. Você consegue ver alguma semelhança entre um beija-flor e um elevador? Só pela rima de seus nomes é que eles se parecem!

Leia este poema de Manuel Bandeira, outro extraordinário poeta:

A ONDA

a onda anda
onde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Viu como o poeta usa a rima, a repetição e o ritmo para recriar a movimentação das ondas do mar? Você já pensou que onda é algo que só existe em movimento? Imagine o desafio que é, para o poeta, recriar com palavras a idéia desse movimento que não pára nunca. Por falar em mar, veja também o poema de Ferreira Goulart sobre tudo o que se pode ver da areia da praia.

Os poemas apresentados até agora falam da realidade exterior, de coisas que podemos ver e tocar. Vejamos, então, alguns poemas que falam daquelas realidades que só existem dentro de nós. Eis um poema de Cecília Meireles, a principal poetisa brasileira do século 20:

GRILO

Estrelinha de lata,
assovio de vidro,
no escuro do quarto do menino doente.

A febre alarga
os pulsos hirtos;
mas dentro dos olhos há um sol contente.

Pássaro de prata
sacudindo guizos
no sonho mágico do menino moribundo.

Gota amarga
dos olhos frios,
rolando, rolando no peito do mundo…

Este poema nos mostra a visão da mãe que zela pelo filho doente. Repare que em todas as estrofes há o som vibrante do ’r’. Esse som lembra o cantar do grilo. Assim, os ruídos do grilo, como um zumbido no ouvido, invadem o delírio do menino com febre, que está morrendo e acaba encontrando repouso ’no peito do mundo’.

Chegou a vez de falarmos do maior poeta do Nordeste, João Cabral de Melo Neto. Ele escreveu sobre problemas sérios do Brasil, como a seca e a miséria no sertão nordestino.

Também precisamos lembrar de Carlos Drummond de Andrade, nosso maior poeta. Em seu poema ’Para sempre’, ele nos ensina que somos frágeis, que precisamos todos uns dos outros e, antes de todos, de nossas mães. Ele escreve difícil e talvez você compreenda melhor suas poesias quando tiver crescido mais. Mas não pense que é só gente grande que escreve poesia! Jorge de Lima, outro importante poeta do Brasil, quando tinha apenas nove anos, escreveu um pequeno e maravilhoso poema:

Tenho pena dos pobres, dos aleijados, dos velhos
Tenho pena do louco Neco Vicente
E da Lua sozinha no céu.

Pense sobre todas as poesias que você leu aqui e procure muitas outras. E não esqueça: a poesia é a arte de reinventar o mundo.
adaptado do artigo originalmente publicado
em Ciência Hoje das Crianças 98

Matéria publicada em 15.12.2000

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Jose-Americo-Miranda

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