Sonhando com o mar

A excursão do colégio não era para a praia, mas para uma lagoa de água doce, com banho liberado e até frescobol. De qualquer maneira, haveria cocos lá – e isso era o que importava para a menina. Moradora das serras, ela só conhecia, das marés, as histórias. E os cocos eram o que mais faziam ela pensar no mar. Como seriam eles? Tantas perguntas ela tinha para fazer sobre essa fruta…

Esta é a história de Com a maré e o sonho, o segundo livro infantil da escritora Ninfa Parreiras. Com essa leitura, você pode navegar pelos desejos de uma menina, suas descobertas e anseios. Para saber como é escrever um livro para crianças e como surgem idéias para uma obra como essa, a Ciência Hoje das Crianças conversou com a autora.

Para Ninfa Parreiras, os sonhos da personagem de seu livro se confundem com os seus próprios. Mineira da cidade de Itaúna, a escritora sempre sonhou com o mar, que conheceu somente aos 15 anos. Hoje, ela mora com seus três filhos no Rio de Janeiro, bem pertinho da praia, como sempre quis. Formada em letras e psicologia, especializou-se em literatura e hoje trabalha como professora e psicanalista – profissional que auxilia as pessoas a se conhecerem melhor e a buscarem soluções para seus problemas pessoais.

Desde 2006, quando lançou seus primeiros livros, Ninfa é também escritora. Nesta conversa com a CHC, Ninfa fala sobre o livro Com a maré e o sonho, sobre a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, onde trabalha, e sobre seus projetos para o futuro. Confira a seguir o bate-papo!

Ciência Hoje das Crianças – Com a maré e o sonho é um dos seus primeiros livros para criança. Como foi escrever para esse público?

Ninfa Parreiras – Trabalho como especialista em literatura infantil e juvenil desde a década de 1980 e sou muito ligada aos livros e à leitura. Costumo escrever textos críticos sobre livros, ensaios e fazer pesquisas na área de literatura para crianças e jovens. Também escrevia textos sobre coisas que eu via, sentia, escutava… Eram como desabafos, como expressões livres de sentimentos. Um dia, minha filha Dafne me perguntou por que eu não mostrava os escritos para outras pessoas. Então, me animei! Passei a limpo um conto e li para minha filha, que gostou e me cutucou para eu continuar a fazer isso: escrever e mostrar. Aí tirei os apontamentos guardados, que começaram a ganhar corpo e voz e enviei alguns textos para umas editoras. Tenho mais de vinte trabalhos prontos, entre contos, poemas, novelas, feitos ao longo de muito tempo. Adorei a experiência de publicar os livros e ter contato com o público de crianças e adolescentes.

Com a maré e o sonho mostra para os leitores, de maneira muito delicada, os anseios de uma menina em conhecer o mar. Como nasceu a idéia do livro?

Sou mineira, do interior. Morava em uma cidade rodeada de serras de minério de ferro. Eu via o mar em sonhos… Conheci o mar com 15 anos, depois de uma espera longa e de muitas fantasias e coisas escutadas e imaginadas. Hoje moro perto do mar, mas continuo tendo o maior fascínio por ele. Gosto do mar, mas tenho um cuidado em entrar, em tocar a água. Fico surpresa com as mudanças e variações das cores, dos cheiros, das formas, dos gostos, das texturas das ondas e da areia. Isso me faz acreditar na possibilidade de mudança para o ser humano. Acho que o conto Com a maré e o sonho fala de um desejo de conhecer algo desconhecido e distante. Algo grandioso, quase mágico, que é o mar! Todas as crianças e adolescentes têm seus desejos, seus sonhos. Precisamos disso para viver!

Fale sobre sua profissão. Você sempre trabalhou com literatura infantil?

Comecei a trabalhar com literatura infantil quando era estudante do curso de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro na década de 1980. Continuo a trabalhar como especialista na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), como professora de Literatura Infantil e Juvenil, como pesquisadora e, agora, vieram meus livros. Tenho, porém, uma outra profissão também: sou psicanalista e tenho uma clínica de atendimentos. Fui fazer psicologia quando descobri que queria estar próxima das pessoas, da nossa subjetividade. Pretendo continuar com as duas profissões, que me deixam em contato permanente com as palavras e a alma. Uma profissão completa a outra. Como psicanalista, exerço a escuta do sofrimento do outro; como especialista de literatura – e, agora, autora – exerço a expressão do desejo de criar, refletir… E os dois trabalhos são um exercício de transformar os afetos em palavras.

O que é a FNLIJ e qual é sua importância?

A FNLIJ é uma instituição privada, que tem a missão múltipla de promover a leitura e o livro infantil e juvenil no nosso país. Ela é pioneira na criação e coordenação de programas de leitura; é a instituição mais importante do Brasil da área de literatura para crianças e jovens. Com isso, a FNLIJ representa o Brasil em feiras e exposições de livros internacionais, além de organizar há nove anos o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, a única feira dedicada exclusivamente à literatura infantil e juvenil. Certamente, os escritores, ilustradores, editores, escolas, professores, bibliotecários, bibliotecas e outros profissionais e órgãos ligados aos livros e à leitura só têm a agradecer à FNLIJ: pelo crescimento do mercado de livros infantis e juvenis, pelo reconhecimento da literatura infantil e juvenil brasileira no exterior, com autores premiados e traduzidos, entre outras realizações.

Você pretende escrever outros livros para crianças?

Em 2008, pretendo publicar os trabalhos que já tenho prontos e deixar minha escrita fluir com os meus sentimentos… Gostaria de manter um contato com os leitores, jovens e adultos, pois o que a gente escreve e publica faz sentido quando é lido por alguém. Ali nasce uma outra história, a do leitor. Tenho alguns projetos e idéias, que necessitam de mais tempo para serem desenvolvidos, mas a hora deles vai chegar.

Matéria publicada em 25.05.2010

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Cathia Abreu

Adoro aprender coisas novas. Tenho a sorte de trabalhar me divertindo e fazendo descobertas todos os dias.

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