Sonhando com a ciência

O que travesseiros e o espaço têm em comum? Achou a pergunta estranha? Pois uma experiência da Agência Espacial Europeia (ESA) juntou 12 voluntários para medir a influência que um ambiente sem gravidade tem sobre o corpo humano. Os travesseironautas, como ficaram conhecidos os participantes do experimento, passaram 21 dias deitados em camas. Durante esse tempo, tudo tinha que ser feito deitado, inclusive comer e ir ao banheiro.

Segundo o médico Oliver Angerer, a Agência Espacial Europeia está programando um experimento no qual travesseironautas vão passar 60 dias deitados! E então, algum candidato? (Foto: ESA)

Segundo o médico Oliver Angerer, a Agência Espacial Europeia está programando um experimento no qual travesseironautas vão passar 60 dias deitados! E então, algum candidato? (Foto: ESA)

As camas em que ficaram os travesseironautas tiveram que ser adaptadas. A posição dos voluntários – pernas erguidas e a cabeça abaixo da linha do quadril – pode não parecer confortável, mas simula como o corpo de um astronauta fica durante as viagens espaciais.

Oliver Angerer, médico e coordenador do experimento, explica que os voluntários passaram pelas mesmas modificações corporais vividas pelos astronautas quando passam muito tempo no espaço. “A experiência se tornou um excelente modelo para investigar as mudanças e testar soluções melhores para os astronautas”, garante o pesquisador.

Se você acha que foi moleza passar muito tempo deitado, saiba que os travesseironautas sofreram consequências como a perda de massa muscular e óssea e até alterações no sistema cardiovascular. Tudo isso pode resultar em diversos problemas de saúde.

Ser travesseironauta não é nada fácil. Ficar deitado por muito tempo pode trazer vários problemas à saúde, como perda de massa muscular e óssea (Foto: ESA)

Ser travesseironauta não é nada fácil. Ficar deitado por muito tempo pode trazer vários problemas à saúde, como perda de massa muscular e óssea (Foto: ESA)

Segundo Oliver, o experimento com os travesseironautas é útil tanto para quem vai para o espaço quanto para quem fica na Terra. “As mudanças pelas quais passam os corpos dos voluntários são as mesmas de alguém que fica muito tempo de cama, quando doente”, compara o médico. “Entender o que acontece pode nos ajudar também a melhorar a situação de pacientes que estão no hospital”.

O estudo concluiu também que algumas consequências de se viver sem a gravidade são as mesmas de quando envelhecemos ou levamos uma vida sedentária. Felizmente, algumas delas são reversíveis. “Nós podemos fazer a nossa parte aqui na Terra, fazendo exercícios e vivendo uma vida saudável”, aconselha.

Matéria publicada em 12.12.2013

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Fernanda-Tavora

Sou curiosa até não poder mais! Gosto de conhecer diversos assuntos e, aqui na CHC, aprendo mais e mais todos os dias.

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