Salvem os anfíbios!

Existem quase 6 mil espécies de anfíbios conhecidas, mas uma em cada três delas está ameaçada de desaparecer do planeta. Os cientistas acreditam que isso acontece porque eles são animais muito sensíveis e, por isso, sofrem mais com a poluição e intervenção do homem na natureza.

O Dendrobates galactonotus é um anfíbio abundante na Amazônia, ameaçado pelo desmatamento, pela caça e pelas inundações para a construção de hidrelétricas no Tocantins (foto: Ron Holt).

Nos últimos anos, o aumento da poluição tem contribuído para elevar a temperatura da Terra. Isso altera a quantidade de chuva que cai em algumas regiões do planeta, o que afeta esses animais, muito dependentes da água. Eles passam taância nesse ambiente e, depois de crescidos, usam ela para se reproduzir e até respirar, pois, além dos pulmões, também respiram pela sua fina pele, que precisa estar sempre molhada. Por isso, a água poluída também os afeta muito.

Além disso, muitos anfíbios têm que suportar o desmatamento das florestas onde vivem, a caça ilegal e principalmente um tipo de fungo descoberto recentemente que causa uma doença mortal neles (e que muitos acreditam ter crescido demais por causa do tal aquecimento da Terra). No final das contas, todos esses motivos já levaram ao desaparecimento de cerca de 120 espécies – como elas não são observadas há muito tempo, os cientistas acreditam que estejam extintas.

Por tudo isso, um grupo de herpetólogos (os cientistas que estudam esses bichos) acaba de lançar um plano de ação para salvar os anfíbios. Eles calcularam que vão precisar de 400 milhões de dólares para colocar o plano em prática por pelo menos cinco anos e pediram ajuda a governos e empresas para conseguir todo esse dinheiro – o que não será nada fácil.

Comum nas Américas Central e do Sul, o Dendrobates auratus sofre com o desmatamento e a caça ilegal. Não bastasse isso, cientistas encontraram um deles com o fungo que ameaça várias espécies de anfíbios (foto: Ron Holt).

Um brasileiro faz parte desse grupo: o “sapeiro” Hélio Ricardo da Silva, como ele mesmo prefere ser chamado. Hélio gosta de observar e estudar esses animais desde criança. Hoje, ele é professor e pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Em uma conversa com a CHC On-line sobre a extinção de anfíbios, ele contou que alguns lugares na América Central eram cheios de diferentes tipos de sapos e que todos desapareceram, muitas vezes em apenas um ano. “E o estrago deve ser muito maior do que imaginamos, pois podem ter sido perdidas espécies que nem chegaram a ser conhecidas!”

O sapo dourado ( Bufo periglenes ) foi visto pela última vez em 1989. Os especialistas acreditam que ele tenha sido extinto pela poluição do ar e pelo aquecimento do planeta (foto: Wikipédia).

Sapos, moscas e cobras
Com o desaparecimento desses animais, todo o nosso planeta perde. Se os sapos comem moscas e são comidos por cobras, quando todos eles desaparecerem, quem vai comer as moscas? E o que as cobras vão comer? O que pode acabar acontecendo é o aumento do número de moscas e sumiço das cobras, e assim por diante…

O Atelopus varius é um anfíbio muito afetado pelo tal fungo que provoca uma doença mortal. Para piorar, a única floresta onde eles ainda sobrevivem, na Costa Rica, está muito degradada (foto: Robert Puschendorf).

“O equilíbrio entre as comunidades de animais é simples como um castelo feito de cartas: se retiramos as do meio, todas as que estavam em cima dela vão cair e ainda podem derrubar algumas que estavam embaixo, mas não podemos prever exatamente o que vai acontecer”, diz Hélio Ricardo da Silva.

Este anfíbio pertence à família dos centrolenídeos, que são transparentes! Por isso, eles são ainda mais sensíveis aos efeitos da poluição. Alguns deles já foram extintos (foto: Ron Holt).

O “sapeiro” conta ainda que as crianças também podem ajudar a proteger e salvar esses bichos. Como? Conhecendo mais sobre eles e alertando as pessoas quanto à sua importância. “Existem muitas mentiras sobre os sapos. Muita gente diz que eles fazem xixi, cegam e até matam. Isso provoca medo nas pessoas e, assim, elas se preocupam menos com a sua conservação”, conta Hélio. “Mas eles são animaizinhos encantadores. Os alunos sempre chegam às minhas aulas com nojo e saem querendo adotá-los!”. Portanto, faça já a sua parte!

 

Matéria publicada em 16.06.2010

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Marina-Verjovsky

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