Por dentro da nau de Cabral

Dar asas à imaginação é bom demais! Em um piscar de olhos, você pode estar em uma floresta distante, em outro planeta ou desbravando os mares no tempo das grandes navegações. Se você gostou do último cenário, saiba que mais do que imaginar, você pode realmente entrar em um navio igualzinho ao que trouxe Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil. A nau, que tem o mesmo tamanho da original, está em exposição no Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro. A CHC foi até lá e garante: ao pisar no convés e sentir o balanço do mar, é impossível não se sentir como um marujo da época!

Está em exposição no Rio de Janeiro um navio igual ao que trouxe Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500 (foto: Acervo do Espaço Cultural da Marinha).

Não é mole não!

Se você acha que a vida em alto-mar é feita só de emoção, está enganado. O dia-a-dia dos marinheiros era bastante duro. Não existia geladeira naquela época, então, os alimentos eram como o presunto cru: salgados e secos para durarem mais tempo. Mas a comida mais importante mesmo era o biscoito.

O alimento mais importante em alto-mar era o biscoito, por demorar para estragar (foto: Tatiane Leal).

“Os marinheiros nunca sabiam quando iriam chegar ao seu destino, pois era a quantidade de vento que determinava a velocidade da nau”, conta o vice-almirante Armando Bittencourt, Diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.  “Se o restante dos alimentos estragasse, o biscoito resistia.”

Como a água era contaminada, os marinheiros preferiam beber vinho, já que o álcool matava algumas bactérias. Aliás, o navio era uma sujeira só! Ratos, baratas e outros animais faziam a festa, enquanto os marujos dormiam no chão. Ter uma cama era privilégio do comandante. E se você já viu filmes em que os marinheiros dormiam em redes, o vice-almirante Bittencourt esclarece que isso só começou a acontecer após o descobrimento, pois os portugueses aprenderam com os índios a confeccioná-las.

Para aguentar o dia-a-dia

Você deve estar se perguntando como os marujos suportavam uma viagem tão longa e difícil. “Sempre havia um padre a bordo, para rezar as missas diariamente e dar apoio psicológico aos marinheiros”, conta Bittencourt.

Os marujos também se divertiam com jogos, como o de damas. Mas desde que não apostassem nada! Os jogos de azar eram proibidos, para evitar confusão entre eles.

Para passar o tempo a bordo, os marinheiros se divertiam com jogos como o de damas (foto: Tatiane Leal).

Embarque nessa!

Com esses detalhes, você já pode dar asas à imaginação e voltar no tempo até a época do descobrimento. Mas se você está no Rio de Janeiro, não deixe de ir até o Centro Cultural da Marinha e pisar na nau com seus próprios pés! Você pode explorar o navio e ver réplicas dos alimentos, jogos e animais que faziam parte da vida a bordo entre os séculos 15 e 16. Ou seja, você terá todos os ingredientes para fazer do passeio uma incrível aventura!

Espaço Cultural da Marinha
Av. Alfred Agache, s/n, Centro, Rio de Janeiro/RJ (próximo à Praça XV).
Terça a domingo, das 12h às 17h. Grátis!
Tel.: (21) 2104-5592 / 2104-6025.

Matéria publicada em 21.12.2009

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Tatiane Leal

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