Passeio pela Antiguidade

Imagine andar pelas ruas da Roma antiga, quase dois mil anos atrás. Entrar nas casas dos senadores, aprender sobre sua cultura e modo de vida… Até bem pouco tempo isso era só imaginação, mas agora um projeto da Universidade de São Paulo (USP) permite fazer essa visita.

É claro que não estamos falando de máquinas do tempo, mas de uma visita virtual ao passado do Império Romano! O projeto Roma 360 permite navegar por um modelo digital da cidade, mais ou menos como ela era no ano de 360, ou seja, cerca de 1700 anos atrás.

O Coliseu é um dos pontos centrais da cidade de Roma, capital do império que dominou boa parte do mundo há dois mil anos. (imagem: Larp/USP)

O Coliseu é um dos pontos centrais da cidade de Roma, capital do império que dominou boa parte do mundo há dois mil anos. (imagem: Larp/USP)

O usuário pode circular pelas ruas estreitas, passar por locais famosos como o Coliseu – onde ocorriam as lutas de gladiadores –, pelos grandes templos dos deuses romanos e pela cúria e mansões dos senadores. Para tornar mais simples a identificação, cada área foi marcada por uma cor diferente: vermelho para os locais públicos e de lazer, azul para construções religiosas e verde para as políticas.

A base do modelo digital foi um atlas de 1923, que retrata a arquitetura da cidade no século 4, além de imagens da cidade, muitas do acervo dos próprios pesquisadores. “A cidade de Roma é bem mais antiga do que isso, mas optamos por representar essa época por que temos mais registros arqueológicos para reconstruir sua arquitetura”, explica o arqueólogo Alex Martire, do Laboratório de Arqueologia Romana Provincial da USP.

A tecnologia utilizada na construção dos modelos é a mesma aplicada em animações e jogos de computador modernos. (imagem: Larp/USP)

A tecnologia utilizada na construção dos modelos é a mesma aplicada em animações e jogos de computador modernos. (imagem: Larp/USP)

Uma das curiosidades do trabalho é o desenho caótico da capital. Diferente de muitas povoações construídas pelos romanos em outras partes do mundo, que eram planejadas e organizadas em linhas retas como um tabuleiro, Roma cresceu sem planejamento e suas ruas formam um labirinto caótico. “É algo bem parecido com o que ocorre na maioria das cidades brasileiras, que também crescem sem planejamento”, diz Alex.

Outro projeto, Domus, permite conhecer o interior de uma mansão romana. Cada cômodo é decorado de acordo com estilos típicos do império e é possível conhecer mais sobre o modo de vida da época em pequenos textos de apoio.

“Utilizamos como modelo as mansões da cidade de Pompeia, que foi destruída pela erupção do vulcão Vesúvio no ano de 79, mas cujas construções ficaram preservadas sob a lava”, conta o arqueólogo. “O mais interessante é perceber que essas casas são diferentes, mas de certas formas também parecidas com as nossas.”

A vista pela mansão do senador romano apresentada no projeto <i>Domus</i> permite conhecer mais sobre a cultura e os hábitos romanos. (foto: Larp/USP)

A vista pela mansão do senador romano apresentada no projeto Domus permite conhecer mais sobre a cultura e os hábitos romanos. (foto: Larp/USP)

Os dois modelos digitais foram elaborados com tecnologias modernas, usadas em jogos de computador e animações, e podem ser explorados online ou baixando o programa necessário para o seu computador. “Diferentemente dos jogos, no entanto, a ideia é ter uma experiência livre no ambiente, não há um roteiro ou missões a cumprir”, explica Alex. Você não ficou com vontade de experimentar?

Matéria publicada em 20.05.2014

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Marcelo-Garcia

Sou um curioso apaixonado por ciência e adoro quadrinhos e ficção científica. Quase virei cientista, mas preferi me dedicar a mostrar pra todo mundo que a ciência está em tudo ao nosso redor!

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