Passado desértico

Uma rocha pode contar muitas histórias. Não estou falando de frases ou desenhos feitos nas paredes das cavernas, mas das próprias pedras! Foram elas que mostraram a um geólogo que a região rural de Diamantina, em Minas Gerais, já foi bem diferente do que é hoje – no lugar de montanhas e vegetação, havia um grande deserto.

Se a história parece muito maluca para você, Fábio Simplício, da Universidade Estadual de Campinas, conta que é possível saber como era um ambiente antigamente só pela análise das formas geométricas, das texturas e da composição mineral das rochas. “As estruturas sedimentares observadas nas rochas dessa região são praticamente as mesmas desde que foram formadas, há 1,8 bilhão de anos”, explica.

As camadas mostram os blocos de areia que foram sendo depositados ao longo dos anos (Foto: Fábio Simplicio)

As camadas mostram os blocos de areia que foram sendo depositados ao longo dos anos (Foto: Fábio Simplicio)

A idade das rochas indicou ao pesquisador que elas surgiram antes mesmo das plantas. “A vegetação terrestre surgiu na Terra há menos de 540 milhões de anos, então, com certeza, não havia vegetação quando essas rochas se formaram”, afirma Fábio.

Sem plantas, durante o período chamado de Paleoproterozoico, o planeta era formado principalmente por regiões com grandes rios e desertos. Para a zona de Diamantina, o pesquisador interpreta que, na maior parte do tempo, predominavam os desertos, que de vez em quando eram invadidos por rios por onde passavam grandes enxurradas. “Acredito que tenha sido um deserto porque as camadas das rochas de lá têm características que mostram que foram formadas pela ação dos ventos”, conclui.

Vejam como são altas estas montanhas rochosas! Foi preciso muito tempo para que o vento pudesse depositar toda essa quantidade de areia. A vegetação que hoje envolve as pedras não existia quando elas foram formadas (Foto: Fábio Simplicio)

Vejam como são altas estas montanhas rochosas! Foi preciso muito tempo para que o vento pudesse depositar toda essa quantidade de areia. A vegetação que hoje envolve as pedras não existia quando elas foram formadas (Foto: Fábio Simplicio)

Apesar de não ter sido uma região dominada por rios, a água teve sua participação. Foi por causa das chuvas e das variações na profundidade do lençol freático sob a superfície do deserto que os sedimentos se acumularam e cimentaram, transformando-se nas rochas que vemos até hoje. “Quando os grãos de areia e outros minerais menores entram em contato com a água da chuva, podem se formar camadas rochosas muito duras, capazes de sobreviver por milhões de anos”, explica o geólogo.

Ao observar mais atentamente as rochas, Fábio percebeu ainda que havia uma explicação para sua coloração avermelhada: a oxidação, um processo químico que começou a ocorrer na superfie do planeta por volta de 1,8 bilhão de anos atrás –  exatamente a idade das rochas estudadas em Diamantina. Você e eu não poderíamos ter vivido naquela época, mas as pedras viveram para contar suas histórias!

Matéria publicada em 06.01.2014

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    As pedras são muito importantes!

    Publicado em 18 de maio de 2019 Responder

  • Ana Vitória Perrucci

    As rochas transforma o vulcão em orupição

    Publicado em 10 de junho de 2020 Responder

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Camille-Dornelles

Quando criança, gostava de fazer experimentos dentro de casa e explorar o mundo. Hoje, na CHC, me sinto brincando de cientista e trabalhando como jornalista ao mesmo tempo.

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