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Ciência Hoje das Crianças


Conteúdo do Link: http://chc.org.br/onde-nasce-o-velho-chico/

Onde nasce o Velho Chico

A coluna ‘Parques do Brasil’ viaja a Minas Gerais para explorar a Serra da Canastra!

Parques do Brasil - 30-09-2016 Meio Ambiente Imprimir Pdf

Quem aí já ouviu falar no nome Opará? E Pirapitinga? Vou dar uma dica: esses são nomes indígenas dados a um mesmo rio, também conhecido como “rio da integração nacional” ou pelo apelido “Velho Chico”. Agora ficou fácil, né?

A cachoeira Casca D’Anta é a primeira e maior queda do rio São Francisco, com cerca de 180 metros de altura. É uma das principais atrações do Parque Nacional da Serra da Canastra. (foto: Gustavo Couto / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

A cachoeira Casca D’Anta é a primeira e maior queda do rio São Francisco, com cerca de 180 metros de altura. É uma das principais atrações do Parque Nacional da Serra da Canastra. (foto: Gustavo Couto / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

Essas são as várias maneiras de se referir ao rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil. Com quase 3 mil quilômetros de extensão, este rio passa por cinco estados brasileiros e tem enorme relevância na história do país. Suas águas já interligaram os territórios de diversos povos indígenas e, mais tarde, guiaram os colonizadores europeus pelo interior do Brasil em busca de ouro e outras riquezas.

Enquanto percorre o campo rupestre no alto da Serra da Canastra o rio São Francisco é estreito, raso e livre de poluição. (foto: Vinícius São Pedro)

Enquanto percorre o campo rupestre no alto da Serra da Canastra o rio São Francisco é estreito, raso e livre de poluição. (foto: Vinícius São Pedro)

A importância atual do rio São Francisco está principalmente no uso de suas águas para pesca, navegação, irrigação de lavouras e geração de energia em usinas hidroelétricas. O problema é que nem mesmo os maiores rios são capazes de resistir a tantos anos de intensa exploração. O Velho Chico já não tem mais a mesma biodiversidade que habitava suas águas ou as matas em suas margens. Também já não tem mais a mesma profundidade e nem corre mais com a mesma velocidade de séculos atrás.

O pato-mergulhão ((i)Mergus octosetaceus(/i)) é uma ave criticamente ameaçada de extinção, apenas encontrada em rios de águas rasas e limpas. A maior população desta espécie – cerca de 100 indivíduos – sobrevive na Serra da Canastra. (foto: Nortondefeis / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

O pato-mergulhão ((i)Mergus octosetaceus(/i)) é uma ave criticamente ameaçada de extinção, apenas encontrada em rios de águas rasas e limpas. A maior população desta espécie – cerca de 100 indivíduos – sobrevive na Serra da Canastra. (foto: Nortondefeis / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

Mas a boa notícia vem da sua cabeceira – ou seja, do lugar de onde nasce o rio –, lá nas montanhas do sudoeste de Minas Gerais. Numa região de chapada conhecida como Serra da Canastra, estão localizadas as nascentes do rio São Francisco. Felizmente, os pequenos córregos que ali se juntam para dar início a um dos maiores rios da América do Sul estão protegidos dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra.

A Serra da Canastra abriga várias espécies de plantas e animais que só agora começam a ser conhecidas pela ciência, como esta perereca-de-vidro (Vitreorana franciscana) que habita riachos próximos à cachoeira Casca D'Anta e só foi descrita em 2015. Seu nome popular se deve ao seu ventre transparente como o vidro e o nome científico é uma homenagem ao rio São Francisco. (foto: Thais Condez)

A Serra da Canastra abriga várias espécies de plantas e animais que só agora começam a ser conhecidas pela ciência, como esta perereca-de-vidro (Vitreorana franciscana) que habita riachos próximos à cachoeira Casca D’Anta e só foi descrita em 2015. Seu nome popular se deve ao seu ventre transparente como o vidro e o nome científico é uma homenagem ao rio São Francisco. (foto: Thais Condez)

A vegetação no alto da serra é formada basicamente por campos rupestres e matas de galeria, onde se encontram dezenas de espécies de plantas que só vivem naquela região. Grandes espécies da fauna do Cerrado, como veados-campeiros, lobos-guarás, tamanduás-bandeiras e emas, podem ser avistadas com relativa facilidade. O local abriga também espécies mais raras e ameaçadas, como o pato-mergulhão e o tatu-canastra, que divide o nome com o parque!

A palavra canastra, embora seja pouco utilizada atualmente, possui diferentes significados. Pode se referir a um tipo de cesta feita de varetas de madeira ou mesmo a uma pessoa corcunda. Provavelmente, o nome do tatu-canastra veio de um desses significados, em referência ao formato de sua carapaça. Mas canastra pode significar também uma arca retangular ou baú. Foi por isso que os bandeirantes batizaram a Serra da Canastra, que tem aparência grande e achatada. Nada mais justo para um lugar que é mesmo uma arca que guarda tantas riquezas naturais!

Vinícius São Pedro, Laboratório de Ecologia Sensorial, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Comentários

Observação: Os comentários publicados abaixo foram enviados por nossos leitores e não necessariamente representam a opinião da Ciência Hoje das Crianças.

  1. Fernanda Caffé disse:

    Enviar para as meninas do quarto ano.

  2. Giovanna Pauline disse:

    Ola me chano giovanna ,gosto muito das materias publicadas da qui da chc .Eu gostaria que voces fizecem um documentario sobre o universo e tambem sobre os novos planetas do universo.
    Espero resposta.


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