O bom e velho queijo

Pedaços de queijo

Após estudarem pedaços de cerâmica de sete mil anos de idade, pesquisadores encontraram a mais antiga evidência da produção de queijo (Foto: Christian Bauer / CC BY 2.0)

Quem não adora um sanduíche de queijo? Se for quentinho, então, com o queijo derretido entre duas crocantes fatias de pão… Fica uma delícia! Mas, antes de correr até a geladeira e preparar um lanchinho, deixe-me contar uma novidade: fabricar e comer queijo não são costumes recentes. Escavações arqueológicas realizadas na região de Kuyavia, na Polônia, mostraram que o homem já se delicia com essa iguaria há milhares de anos.

Você já sabia que o macarrão e a pipoca, por exemplo, eram quitutes milenares. Agora, pesquisadores europeus e americanos estudaram pedaços de cerâmica com aproximadamente sete mil anos de idade e chegaram à conclusão de que eles poderiam servir para fabricar queijos. Os recipientes possuem furos de até três milímetros, que podiam ser usados como uma peneira para separar o leite coalhado – que é a parte sólida usada na produção do queijo – do soro, que é líquido.

Peneiras parecidas, porém, poderiam ser usadas para coar outros alimentos. Então, como tirar a dúvida sobre se era ou não queijo que nossos antepassados fabricavam ali? A resposta estava nos restos de gordura que acabaram preservados nos cacos de cerâmica.

Pedaço de cerâmica

Em pedaços de cerâmica como o da foto, cientistas encontraram moléculas de gordura que foram identificadas como resíduos de leite. Isso indica que esses cacos faziam parte de recipientes usados para a produção de queijo (Foto: Mélanie Salque / University of Bristol)

Os cientistas coletaram amostras do material e fizeram uma análise da presença de carbono 13 e carbono 12. Isso foi importante porque a proporção entre os dois tipos de carbono presentes em uma molécula animal – incluindo uma molécula de leite – permanece constante ao longo do tempo. Logo, é possível comparar a composição do material antigo com moléculas de leite fresquinho.

“Os resíduos que encontramos nos pedaços de cerâmica são mesmo resíduos de leite”, conta a bioquímica Mélanie Salque, da Universidade de Bristol. “Como as peneiras foram feitas para coar alguma coisa e o queijo é o único produto derivado do leite que você tem que coar, concluímos que elas eram usadas para produzir queijo”.

Mélanie e seus colegas acham que o uso do queijo poderia ser vantajoso por ele ser mais fácil de transportar e mais difícil de estragar que o leite. Além disso, acredita-se que os seres humanos que viviam na Europa naquela época eram intolerantes à lactose – um tipo de açúcar presente no leite que é quase totalmente retirado durante o processo de fabricação do queijo. Assim, comer queijo seria uma maneira de se aproveitar das qualidades nutricionais do leite sem passar mal por causa da lactose.

Agora, você já pode preparar seu sanduíche e comer pensando: ainda bem que nossos antepassados descobriram como preparar essa gostosura!

Matéria publicada em 14.02.2013

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Joyce-Santos

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