Novidades no museu

Final de ano chegando, escutamos sempre: filho, arruma o seu quarto! Menina, vamos fazer uma limpa nesses brinquedos? Então você vence a preguiça e começa a remexer armário, gavetas, estantes. Lá pelas tantas… oba! Encontra uma revista ainda não lida, ou uma caixa de lápis de cor novinha em folha. Já aconteceu com você?

Pois saiba que acontece também com os cientistas. Por isso, de vez em quando, um grupo deles resolve revirar antigas coleções de museus. E foi fazendo isso que pesquisadores descobriram duas novas espécies do nordeste brasileiro!

A nova espécie de porco-espinho, <i>Coendou baturitensis</i>, foi por muito tempo confundida com a espécie <i>Coendou prehensilis</i>. Os dois animais são bem parecidos, com comprimento do corpo de 30 a 60 centímetros e espinhos tricolores (Foto: Hugo Fernandes-Ferreira)

A nova espécie de porco-espinho, Coendou baturitensis, foi por muito tempo confundida com a espécie Coendou prehensilis. Os dois animais são bem parecidos, com comprimento do corpo de 30 a 60 centímetros e espinhos tricolores (Foto: Hugo Fernandes-Ferreira)

Os biólogos Anderson Feijó e Alfredo Langguth analisaram os animais da coleção de mamíferos da Universidade Federal da Paraíba e notaram um crânio de porco-espinho diferente, coletado na Serra de Baturité, Ceará. Ele estava catalogado como Coendou prehensilis, ou ouriço-cacheiro – até então, a única espécie de porco-espinho conhecida no estado.

“Quando comparei dois crânios, percebi que um deles era mais arredondado na região do nariz”, conta Anderson. Isso cheirava a descoberta!

A certeza de que eram espécies diferentes aumentou quando os pesquisadores encontraram outro crânio igual no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os dois haviam sido coletados em regiões muito próximas.

Com a confirmação, uma nova espécie de porco-espinho foi descrita e recebeu nome científico: Coendou baturitensis. Ela já vinha sendo observada na natureza, mas era sempre confundida com o ouriço-cacheiro…

Observar crânios com atenção também foi importante para desfazer outra antiga confusão – a da cutia-de-garupa-laranja, encontrada na Paraíba. Anderson contou à CHC que ela havia sido descrita no século 18, mas, depois, fora confundida com outra espécie, que vive na Amazônia.

A cutia-de-garupa-laranja, <i>Dasyprocta leporina</i>, natural da Amazônia, foi pelos últimos anos confundida com a nova espécie <i>Dasyprocta iacki</i>, encontrada nos estados Paraíba e Pernambuco (Foto: Wikimedia Commons)

Na foto, a cutia-de-garupa-laranja, Dasyprocta leporina, natural da Amazônia, que foi pelos últimos anos confundida com a nova espécie Dasyprocta iacki, encontrada nos estados Paraíba e Pernambuco (Foto: Wikimedia Commons)

As duas dividiam o nome científico, até que a comparação dos crânios mostrou que se tratava de bichos diferentes! A espécie paraibana ganhou, então, novo nome: Dasyprocta iacki. Valeu a pena tanta arrumação…

Matéria publicada em 14.10.2013

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Espero que a cada ano tenha mais novidades na ciência!

    Publicado em 2 de junho de 2019 Responder

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Camille-Dornelles

Quando criança, gostava de fazer experimentos dentro de casa e explorar o mundo. Hoje, na CHC, me sinto brincando de cientista e trabalhando como jornalista ao mesmo tempo.

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