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Nos oceanos habitam algumas das criaturas mais diferentes que você pode imaginar – inclua aí as esponjas. Não, não estamos falando de um personagem de desenho animado. Esses animais são de verdade!

Esponjas calcárias possuem um esqueleto formado por carbonato de cálcio (daí seu nome), vivem presas ao ‘fundo do mar’ – o substrato marinho – e se alimentam por filtração, ou seja, filtram o material que é trazido até elas pelas correntes marinhas em busca de pequenos seres como bactérias, protozoários e algumas algas, além de partículas orgânicas.

Esponjas adultas como esta representante da espécie <i>Clathrina aurea</i> vivem fixas ao fundo e a preservação de seus habitats é fundamental para a sua sobrevivência. (foto: João Carraro)

Esponjas adultas como esta representante da espécie Clathrina aurea vivem fixas ao fundo e a preservação de seus habitats é fundamental para a sua sobrevivência. (foto: João Carraro)

A diversidade desse grupo na costa brasileira ainda é muito pouco estudada. Por isso, um grupo de cientistas resolveu analisar 400 animais coletados nos últimos anos pelo Laboratório de Biologia de Porífera da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eles foram classificados em 26 espécies diferentes – 14 delas totalmente novas para a ciência!

“As esponjas têm corpos simples, mas são complexas”, conta a bióloga Fernanda Azevedo, uma das responsáveis pela pesquisa. “Às vezes, as características externas de um indivíduo são parecidas com as de uma determinada espécie, mas seu DNA indica que pertence a outra”.

<i>Clathrina conifera</i>(à esquerda) e <i>Clathrina aurea</i>, já conhecidas, estavam entre as vinte e seis espécies de esponjas calcárias coletadas pelos pesquisadores. (fotos: Eduardo Hajdu)

Clathrina conifera(à esquerda) e Clathrina aurea, já conhecidas, estavam entre as vinte e seis espécies de esponjas calcárias coletadas pelos pesquisadores. (fotos: Eduardo Hajdu)

Fernanda contou à CHC que foi justamente a análise do DNA, em conjunto com a análise das características externas, o que permitiu descobrir as espécies novas. Ela acredita que ainda há muitas outras para descobrir. “Investigamos apenas pequenas áreas da costa brasileira”, avalia. Os espécimes foram coletados em três regiões: Ilha do Arvoredo, em Santa Catarina, Ilhabela, em São Paulo, e Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Conhecer a fundo as esponjas que habitam nossos litorais é importante para protegê-las. “Reunir informações sobre a composição e distribuição das espécies é essencial para chamar a atenção de órgãos ambientais e para contribuir com o plano de manejo e/ou a criação de novas áreas de conservação”, argumenta a pesquisadora.

Espécies invasoras, como a <i>Paraleucilla magna</i>, podem ameaçar a biodiversidade local. (foto: Eduardo Hajdu)

Espécies invasoras, como a Paraleucilla magna, podem ameaçar a biodiversidade local. (foto: Eduardo Hajdu)

O estudo ajuda também a identificar outros perigos para a vida nos mares brasileiros. Os pesquisadores confirmaram, por exemplo, a presença por aqui de duas espécies de esponjas que não são naturais da nossa costa (Paraleucilla magna e Sycettusa hastifera) e que podem colocar em risco o equilíbrio dos ecossistemas locais.

Matéria publicada em 21.01.2015

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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