Micro-olimpíadas

“E a medalha de ouro na natação vai para a bactéria Rhodobacter sphaeroides, que atravessou a piscina microscópica em apenas 2,02 segundos!”

(Ilustração: Nature Publishing Group)

Calma, calma! Não tem nenhum microrganismo invadindo a piscina dos Jogos Olímpicos que estão acontecendo em Londres, na Inglaterra. Na verdade, a bactéria medalhista participou das Olimpíadas Microbianas, um evento criado pelo bioquímico Andrew Jermy, editor da revista científica Nature, para saber mais sobre as características dos microrganismos.

Em entrevista à CHC, Andrew contou que resolveu fazer o evento por que, para sobreviver, os microrganismos precisam desenvolver verdadeiros talentos esportivos. “Na luta pela sobrevivência, os seres microscópicos aprendem a nadar mais rápido que os outros, a se multiplicar mais rápido e até a resistir ao frio ou calor em excesso”, explica.

Diferente das grandes arenas que abrigam os jogos humanos, as Olimpíadas Microbianas acontecem no microscópio. A natação, por exemplo, foi sediada por uma piscina bem pequenininha, cerca de 500.000 vezes menor do que uma piscina olímpica. Confira o vídeo da prova:


Oito espécies de bactérias participaram da competição na piscina microscópica. Quem levou a medalha de ouro foi a Rhodobacter sphaeroides, que atravessou a piscina em apenas 2,02 segundos (Vídeo cedido por Judith Armitage)

Segundo a bacteriologista Judith Armitage, da Universidade de Oxford, a disputa ajuda a conhecer os tipos de nado executado por cada espécie de bactéria. “Sabemos que as bactérias nadam em busca de ambientes confortáveis e para fugir de predadores, mas ainda estamos investigando que características tornam uma espécie melhor nadadora que outra”, explica.

As bactérias tiveram presença garantida em todos os eventos, mas não foram as únicas medalhistas. Na disputa pela maior velocidade de multiplicação da espécie, o vírus foi o grande campeão. “Cada vez que se divide, uma bactéria gera duas novas bactérias, enquanto o vírus pode se multiplicar em até mil novas cópias no mesmo período de tempo”, conta a bióloga Merry Youle.

O evento também contou com a participação dos fungos que, apesar de não se saírem muito bem, já estão se preparando para arrasar daqui a quatro anos. Estamos na torcida!

Matéria publicada em 08.08.2012

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Mariana Rocha

Cresci gostando de fazer descobertas para escrever sobre elas. Na CHC consigo ser curiosa e escritora, tudo ao mesmo tempo!

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