Filhotes de rapina

Pela primeira vez, um filhote de harpia nascido em cativeiro sobrevive no sul do Brasil. Ele já ganhou um irmão, cinco dias mais novo (fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional).

As aves de rapina, como os gaviões, as corujas e os falcões, não têm uma fama lá muito boa. Pudera! Quando a gente ouve falar que uma espécie como o gavião-real – também conhecido como harpia – é capaz de levantar um carneiro do chão, com o auxílio de seus dedos fortes e de suas enormes garras, não dá para evitar uma ponta de medo. E olha que somos bem maiores – e pesados! – do que uma ave desse tipo.

Um sentimento assim, porém, não tem espaço diante da foto acima, não é? Afinal, esse filhote de penas branquíssimas não assusta ninguém. Saiba, porém, caro leitor, que você está diante de um gavião-real, a mais poderosa ave de rapina do mundo – só que bebê!

Filhotes pioneiros
Ficou encantado por esse emplumado? Pois ele é apenas o primeiro de dois filhotes de harpia que nasceram recentemente em cativeiro no sul do Brasil: um no dia 15 de janeiro e o outro, no dia 20. A “maternidade” de ambos está localizada no Refúgio Biológico Bela Vista, a unidade de proteção ambiental da usina hidrelétrica Itaipu Binacional, localizado no Estado do Paraná.

Lá, um casal de harpias já havia tido, em 2007 e 2008, três crias. Mas quem disse que elas sobreviveram? Foi preciso esperar por 2009 para que finalmente a família de gaviões-reais ficasse completa. Ou quase…

O casal de harpias se revezou na hora de chocar os ovos.

Longe dos pais
O nascimento dos filhotes de harpia foi motivo de alegria. Afinal, essa ave é considerada quase extinta no Paraná e rara no Brasil. Além disso, pela primeira vez, filhotes de harpia nascidos em cativeiro sobreviveram no sul do Brasil.

Nem tudo, porém, são flores. Você acredita que os bebês – que ainda não receberam um nome – tiveram que ser afastado dos pais assim que nasceram? Pois é! Tudo porque, em ocasiões anteriores, a mamãe harpia não alimentou os seus filhotes, não se sabe exatamente porquê. Por conta disso, eles não resistiram. Desta vez, porém, os recém-nascidos foram logo levados para uma estufa.

“No início, os filhotes de harpia não têm muitas penas. Assim, sentem muito a variação de temperatura. Tanto é que seus pais ficam sobre eles para aquecê-los. Na estufa, eles permanecem, a princípio, a uma temperatura de 36 graus, que é diminuída gradativamente”, conta o veterinário Wanderlei de Moraes, do Refúgio Biológico Bela Vista.

Os dois irmãos juntos. O mais velho está com o pescoço levantado. Eles vão crescer longe dos pais

Irmãos camaradas
Na estufa, os filhotes de harpia são alimentados cinco vezes por dia, na boca, com uma pinça. No cardápio, ratos criados em cativeiro, picadinhos! E não pense que o prato principal não agrada. A prova de que ele é muito bem-vindo está no peso dos recém-nascidos. O primeiro, que nasceu com 78 gramas, já está com quase 350. O caçula, por sua vez, mais que dobrou o seu peso em uma semana: de 63 gramas, chegou a 165!

Mais irmãos a caminho?
A família de harpias do sul do Brasil pode crescer. O casal já dá sinais de que mais ovos podem estar a caminho. O macho e a fêmea já até voltaram a namorar! E é bom mesmo aproveitar: a época de reprodução da espécie vai de setembro até abril. Ou seja, há ainda alguns meses! Será que vêm mais bebês por aí? É esperar para ver!

 

Matéria publicada em 28.01.2009

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Mara Figueira

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