Dinossauro novo na praça

O esquema mostra a posição dos ossos encontrados da nova espécie de dinossauro brasileiro

O que antes era apenas uma suspeita agora foi confirmado: aumentou para 13 o número de espécies de dinossauro já encontradas no país. Cientistas descobriram na cidade de Agudo, no Rio Grande do Sul, fósseis de um dinossauro que era banguela! Esse herbívoro pertencia ao grupo Ornithischia e, por isso, apresentava um osso sem dente na frente da mandíbula. É a primeira vez que um dinossauro desse tipo é encontrado no Brasil. O país ganha, assim, a sua primeira espécie de ornitísquio, como são chamados os répteis desse grupo.

Até recentemente apenas pegadas de dinossauros desse tipo haviam sido encontradas em território brasileiro. “As pegadas localizadas no interior de São Paulo e na Paraíba indicavam a existência de ornitísquios no período Cretáceo, entre 145 a 65 milhões de anos atrás, mas a descoberta desses ossos comprova que esses répteis viveram no Brasil há 230 milhões de anos, no período Triássico”, conta o paleontólogo Max Langer, da Universidade de São Paulo.

Os dinossauros são classificados em dois grupos: Ornithischia e Saurischia. A principal diferença entre os ornitísquios – que pertencem ao primeiro grupo – e os outros dinossauros está na formação óssea da cintura pélvica, que equivale ao quadril no ser humano. Uma parte dessa cintura, chamada de púbis, encontra-se inclinada para trás, no caso dos ornitísquios (veja a figura abaixo).

A formação da cintura pélvica mostra a diferença entre os dinossauros dos grupos Ornithischia e Saurischia

Embora os fósseis localizados no Rio Grande do Sul não apresentem todas as partes dessa região, os pesquisadores puderam comprovar que se tratava de um ornitísquio de espécie diferente das já pesquisadas pelas características de outros ossos. “Identificamos a presença de dois ossos pré-dentários – ou seja, sem dente –, que se encontram na frente da mandíbula. As outras espécies de ornitísquios, como o Pisanossaurus , encontrado na Argentina, apresentam apenas um osso desse tipo, que é contínuo, lembrando a letra V invertida”, explica Max.

Além desses ossos, os paleontólogos acharam as vértebras, ossos isolados da cintura e do peito e parte das patas traseiras. Essa nova espécie se assemelha a uma outra encontrada na Polônia, chamada Silesaurus , e teria no máximo um metro e meio de altura. “Mas, com esses fósseis, não temos como afirmar se os dinossauros eram bípedes ou quadrúpedes”, afirma Max.

Uma curiosidade é que os pesquisadores localizaram 12 fêmures – ou seja, ossos que formam a coxa –, cada um de um dinossauro diferente, mas todos do lado direito. “E ainda encontramos mais dois fêmures de tamanhos maiores e formatos diferentes, o que nos leva a pensar que eles podem pertencer a uma outra espécie”, diz o paleontólogo.

Pois é: os pesquisadores, que já têm nas mãos com certeza uma nova espécie de ornitísquio, talvez tenham encontrado outra. Mas isso somente o tempo irá confirmar. Por enquanto, ficamos na expectativa. O nome da espécie recém-descoberta está sendo guardado a sete chaves e será divulgado no final do ano, quando o estudo estiver concluído e o trabalho for publicado. Por enquanto, ficamos aguardando ansiosos por notícias, não é?

Matéria publicada em 20.09.2005

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